terça-feira, 13 de setembro de 2016

Adjetivos...

Principal herança de Eduardo Cunha para o Brasil é Temer Presidente (Mário Magalhães, Uol)
Se alguém tem dificuldade em entender como é que se dá a produção de significados com a incorporação de valores de natureza moral a algum termo da língua, é só prestar a atenção na maneira como a mera pronúncia de nomes próprios designa uma qualidade.

Há algum tipo de ambiguidade na conotação de nomes como o de Nelson Mandela, de Gandhi, de Luther King? Outros exemplos:  Allende e Pinochet, Hitler, Stálin, Guevara, Ho Chi Minh... alguns heróis e mártires; outros canalhas e vilões. Essa é uma dimensão da linguagem que anda lado a lado com o seu caráter denotativo: sabemos quem são todos eles, mas a simples pronúncia de seus nomes nos faz recordar o que representam.

No Brasil temos uma galeria de nomes próprios adjetivados, a maioria deles de forte carga negativa:  Eliseu Padilha, Michel Temer, Collor, Paulo Skaf etc. É uma vingança semântica da História... O nome de Eduardo Cunha, por exemplo, mesmo depois de 2027, está condenado a ser até o fim dos tempos a adjetivação daquilo que de pior a política brasileira produziu. Os golpistas todos se igualam, se ombreiam, têm o mesmo DNA e merecem as mesmas penas...
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