segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Dória é um blefe

Um terço não vota em São Paulo, número que supera o apoio a Dória (Estadão)

Uma eleição com 21,84% de abstenções, 11,35% de votos nulos e 5,29% de votos em branco não pode ser pensada - nem muito menos analisada - como se o resultado final obtido por Dória Jr represente um cheque em branco para a sua gestão.

Isso pode parecer algum tipo de relativização do 2o. lugar de Haddad, mas não é: a expressiva despolitização da campanha eleitoral - eu duvido que alguém saiba exatamente o que o prefeito eleito pretende fazer na cidade exceto gerenciá-la como uma empresa e transferir para os interesses privados aquilo que é de responsabilidade do Estado - e o silêncio constrangedor que pesa sobre a biografia do eleito, seus negócios escusos, os processos que enfrenta, sua incompetência como empresário e seu aventureirismo a serviço do grande capital - indicam que o vezo anti-petista manifestado pelos eleitores pode ter um custo que atrapalha até mesmo os planos dos tucanos para 2018. 

De qualquer forma, tudo indica que o vaticínio sobre o colapso das ideologias feito por Regis Debray no final dos anos 90 pode se concretizar: no futuro, dizia ele, os títulos eleitorais serão substituídos por cartões de crédito e a ágora moderna fará suas assembleias nas praças de convivência dos shoppings centers. Dória é um gandula de quadra de tênis e um boneco inventado por Geraldo Alckmin. Vai ter que se superar se quiser pagar a conta pelos votos que recebeu.

Leia ainda: Qual o efeito do resultado em São Paulo para os derrotados (Nexo) * Por que João Dória foi eleito de forma tão surpreendente na maior cidade do país (Nexo)
______________________________

Nenhum comentário: