sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Quero mostrar que tem abuso no Judiciário...

Veja aqui o debate entre o senador  Lindberg e o juiz Sérgio Moro

Na sessão do Senado ontem, Lindbergh Farias aponta para o abuso de poder e para a postura discricionária dos agentes da Lava Jato, vistos por Walter Alves, presidente do Sindicato dos Professores de Santos, como uma espécie de reedição do movimento tenentista dos anos 20 ("tenentes de toga", acrescenta o advogado Ricardo Gebrim, do SINPRO-SP e do Consulta Popular).

Vale a pena ler a matéria de Patrícia Faerman, publicada no GGN, para entender essa representação ambígua que Sérgio Moro passa a ter no imaginário político da sociedade brasileira e que talvez ele próprio e sua equipe incorporem como destino salvacionista e messiânico: livrar o Brasil de todas suas mazelas mesmo que seja às custas da lei e da democracia. Uma ditadura moralista que o conservadorismo emergente no Brasil, em especial esse conservadorismo que anima as classes médias, pode reivindicar nas manifestações anunciadas para o próximo dia 4: a pretexto de exigir o rigor da Lei, um país sem freios - como querem os que advogam o fim do Estado.

Penso que a melhor interpretação desse quadro complexo que estamos vivendo foi feita pelo jornal O Estado de S. Paulo em seu editorial de ontem: A noção mesma do Estado Democrático de Direito é a de que não há soberanos, não há cidadão longe o bastante do alcance da lei. Juízes e promotores não são diferentes dos mortais comuns e devem responder por seus atos, diz o jornal (leia aqui a íntegra do texto). É esse o núcleo da contradição política que o país vive: vítima das forças reacionárias e obscurantistas que foram postas em movimento com o golpe do impeachmet e tendo à frente do executivo um verdadeiro boçal, como é Michel Temer, a sociedade brasileira tornou-se refém de um sistema pendular que pode nos levar a uma ditadura. A história, neste caso, não vai se repetir como farsa... mas como tragédia.

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