sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Capitães do mato

O Estado brasileiro "terceirizou" a barbárie, entregando a gestão dos presídios às facções e consentindo que os agentes do Estado matem e deixem morrer (Ivana Bentes, em Maldito Foucault, Revista Cult)

(José Carlos de Assis, Brasil 247) 

Aparentemente, a notícia está superada, mas parece que não. Ao contrário: a determinação de Temer para que o Exército atue como força dissuasiva nas rebeliões de presidiários que se espalham pelo país inteiro (ou como fator de atemorização) pode estar servindo como uma cortina de fumaça que encobre o virtual colapso do governo e seu isolamento político. Sob o argumento de que a guerra nos presídios afeta a segurança nacional, o decreto do "presidente" transfere para os militares o poder de milícia e, como tal, em condições de reprimir desafios à ordem instituída. Não é difícil compreender que a decisão de Temer, por seus objetivos, viola a Constituição e fere as atribuições específicas do Exército. Virtualmente, pode transformar o poder civil em refém dessa dinâmica.

Leia mais: * O sistema penitenciário é todo ilegal (Juiz Luis Carlos Valois, Mídia Ninja) * Ministro da Justiça é o responsável número 1 pelo massacre de Manaus (Paulo Sérgio Pinheiro, Mídia Ninja) * A crítica ao Plano Nacional de Segurança Pública (IHU) * Revista Época rifa Alexandre de Morais (via GGN) * Do Carandiru a Manaus, Brasil lota presídios para combater tráfico (El País) * Quem são os políticos bancados pela empresa administradora do presídios? (GGN) * Gestão terceirizada de presídio facilitou massacre de Manaus (Uol) * Maior facção criminosa do Brasil lança ofensiva empresarial no Rio (El País) * Dez documentários para entender a crise do sistema prisional (Outras Palavras) * A guerra já está na rua. Facções não querem se submeter ao PCC e ocupam vazio deixado pelo Estado (IHU).
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