sábado, 15 de abril de 2017

A dinâmica social que as elites políticas brasileiras não entendem

As contradições desse capitalismo atrasado do Brasil gerou uma tal
complexidade de demandas sociais que o país acaba se
tornando ingovernável se a estratégia não  for a construção
 de um sólido Estado do Bem Estar Social.
Penso que a melhor análise feita até agora sobre os estudos da Fundação Perseu Abramo que concluíram pela forte presença do pensamento liberal nas periferias do Brasil é a de Ivana Bentes (A periferia não binária, revisa Cult): "o pragmatismo popular brasileiro não cabe nas polarizações [ideológicas] e está em disputa". Ao contrário do que uma visão apressada sobre os resultados do trabalho possa concluir, o que o eleitorado da periferia quer não é a redução do papel desse Estado privatizado que foi instaurado pelo neoliberlismo, mas um Estado forte e eficaz cuja estruturação nem mesmo a esquerda parece entender.

A análise de Bentes dá bem a dimensão do impasse político em que o país vive e mostra que sem um pacto social que coloque o Estado na condição de regulador das práticas selvagens do capital e que obrigue a extensão de benefícios concretos aos segmentos de baixa renda e de renda intermediária, a governabilidade do país é a que se revela nesse fosso que se abriu nas relações políticas do país desde abril do ano passado. Temer e os empresários que o colocaram no governo como um fantoche dos interesses privados não perdem por esperar...

Outras leituras sobre o tema: * O projeto Brasil Nação de Luiz Carlos Bresser Pereira (Conversa Afiada) * Não está fora de cogitação um novo golpe (Konder Comparato, Carta Capital) * Sociedade não está desmobilizada, mas pautas migraram do macro ao micro (Angela Alonso, Uol).
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