sábado, 1 de abril de 2017

O Brasil inteiro contra Temer e contra a minoria que o apoia

Corrosão moral e política do legado do golpe contra Dilma faz emergir no país inteiro um sentimento de indignação que não se retrai: as pesquisas apenas comprovam que a ocupação das ruas ainda vai crescer muito mais até a greve geral de 28 de abril: se assoprarem mais um pouco, canalha e fraco como é, Temer cai. 
Não é exatamente o ambiente de dissolução moral e política que cerca o golpista Michel Temer o que mais chama a atenção. Nesse quesito é suficiente registrar o momento mais tenso da reunião que "a nata do empresariado" manteve com o "presidente" diante da possibilidade de que o Senado encaminhasse para a chancela do planalto uma proposta mais branda da teceirização. Alguns dos presentes revelaram aos jornalistas uma indiscrição: como sempre, inseguro sobre o que fazer, Temer foi admoestado aos berros por num industrial do sul: "V.Exa tenha vergonha na cara e coragem para fazer o que nos prometeu. Se não tem condições de aprovar esta merda de terceirização, está deposto". 

Não é preciso muito esforço para imaginar o silêncio que se seguiu. Temer, pálido e trêmulo, levantou-se e meio cambaleante buscou a porta de saída. Foi interrompido bruscamente por um banqueiro de São Paulo que, agarrando-o pelo braço, teria advertido: "Michel, o caminho que você escolheu não tem volta. Todos nós sabemos que sem esta turma que está aqui, nem sua segurança física está garantida. Melhor chancelar o projeto da Câmara..."

Esse fato, que certamente vai se perder na crônica de acontecimentos múltiplos que tem marcado o Brasil dos últimos dois ou três anos, é um sintoma. Por trás dele - de barato, um acinte desses com aquele que seria o "primeiro mandatário" da nação é um escândalo inédito - há uma corrosão pública como nunca se nunca se viu na história: Temer caminha rapidamente para atingir o índice de 80% de reprovação na sua forma de governar e já passou da taxa de 55% dos que consideram seu governo ruim ou péssimo.

Em perspectiva, todo esse cenário de decrepitude e de insanidade política capitaneada por aquilo que de pior o parlamento nacional já teve - uma mancha de corrupção que compromete o Congresso inteiro - e pela pressão de um empresariado torpe e incompetente para gerir seus próprios interesses, todo esse cenário tende a se agravar e muito. Renan já sinalizou para onde vão os caciques dos votos de curral: ninguém quer a culpa do desastre de Temer nem ficar associado a ele; a direita não consegue mobilizar sequer um bloco de esquina; a popularidade de Lula cresce solta; e o desatino dos golpistas ainda quer queimar mais um pouco o reduzido espaço em que se movimentam: vêm aí a reforma da Previdência, a reforma trabalhista, ajustes fiscais e o escambau.

As manifestações de ontem quase repetem o dia 15 de março e tudo indica que o 28 de abril vai passar para a história como o maior evento popular que o Brasil já teve: uma greve geral que para ser completa só mesmo se os trabalhadores tomarem nas mãos a direção do país. Por que não?

Leia mais: * Temer sanciona a terceirização e legaliza contratação fraudulenta (Sindicato dos Professores de São Paulo - Sinpro-Sp) * Temer ignora manifestações contra reformas e sanciona terceirização (El País) * Renan publica vídeo em suas redes sociais contra Temer (Estadão) * Renan chama projeto de terceirização de boia-fria.com (El País) * PMDB se rebela contra terceirização (Mídia Ninja) * Temer sanciona a terceirização. Qual o contexto da decisão?(Nexo Jornal) * Terceirização é fenômeno global, diz ministro do Trabalho (Estadão).
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