terça-feira, 30 de maio de 2017

Higienistas sociais saem da toca e exibem truculência...

Tal como Doria, o secretário municipal da Cultura (imaginem
só, da Cultura), mostra-se um sujeito destemperado e
com pendores fascistas inconfundíveis. O fato narrado
ao lado mostra a cidade nas mãos de desqualificados que
precisam ser barrados nas ruas pelo povo...

'Vou quebrar a sua cara', diz secretário da Cultura de Doria a ativista

Em reunião com integrantes do Movimento Cultural Ermelino Matarazzo, André Sturm, ameaçou fisicamente o ativista Gustavo Soares, numa clara demonstração de prepotência - certamente inspirado na doutrina do Prefeito: sem a força bruta, São Paulo não pode ser administrada. Leia a íntegra da reportagem do Estadão aqui.
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domingo, 28 de maio de 2017

Copacabana

Manifestação no Rio contra Temer e por eleições gerais e diretas já (leia no El País)
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sábado, 27 de maio de 2017

Dominação financeira, o caminho ao caos (Ladislau Dowbor, Outras Palavras

A semanas de lançar novo livro, Ladislau Dowbor sustenta:
foi o controle exercido pelos bancos sobre orçamento público
 e o das famílias que provocou crise do lulismo e espiral do golpe

O modelo brasileiro de desenvolvimento da última década ia bem obrigado. Um conjunto de programas econômicos e sociais, como a elevação do salário mínimo, ampliação das aposentadorias, transferências para as famílias mais pobres, expansão da educação e dos serviços de saúde, amplos investimentos em infraestruturas e outros programas ampliaram a demanda para as empresas, o que por sua vez, além de gerar produtos, gerou mais de 10 milhões de empregos formais, ampliando ainda mais a demanda – levando ao chamado “círculo virtuoso” de crescimento: dinamizou-se a economia, ao mesmo tempo que se respondia às necessidades reais da população, priorizando quem mais precisa. E como uma economia mais dinâmica gera mais recursos públicos, foi possível equilibrar o financiamento do conjunto, inclusive as políticas sociais e redistributivas (continue a leitura).
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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Os autores da violência em Brasília

Baderna coisa nenhuma: Temer e sua gangue impuseram
o caos em Brasília com repressão selvagem, típica dos
tempos da ditadura. Fora com eles!
Estive em Brasília nesta 4a feira. Viajei acompanhado de amigos professores, todos do Sinpro-Sp, que compartilham comigo a indignação e a repulsa contra o governo de Michel Temer, a condenação radical às reformas que, de forma ilegítima, esse impostor tenta impor à sociedade brasileira como recompensa ao empresariado que apoiou o impeachment. 

A manifestação no Distrito Federal, em meio às evidências de apodrecimento do governo, me parecem ter sido o ponto máximo a que chegou o isolamento de Temer, na minha opinião o núcleo que articula toda a expectativa do conservadorismo em torno do retrocesso social que o golpe contra Dilma tenta enfia goela abaixo dos trabalhadores. Esse é o motivo pelo qual penso que a campanha Fora Temer! é aquela que desmonta, na Câmara e no Senado, a viabilidade de aprovação das reformas, em especial a da Previdência e Trabalhista.

Na minha interpretação, o radicalismo com que a manifestação em Brasília foi reprimida dá bem a medida deste fato: o esgotamento da capacidade de Temer em manter sua base de apoio que se esfacela na mesma medida em que os escândalos se ampliam, conjuntura que o teria levado a escolher a clássica saída que nossa burguesia sempre trilha quando se vê diante da ameaça de perder seus privilégios selvagens: a democracia que se dane! Chamem os militares para tutelar o poder civil!

Foi o que Temer fez, descendo ao inferno com sua indignidade e vilania. Vai cair mesmo...

Leia mais: * Relevante e protagonista (Vargas Neto, Vermelho) * Triste país onde depredação é escândalo mas massacre de 10 posseiros não (Mario Magalhães, Uol) * Decreto de Temer autoriza Forças Armadas no DF por 8 dias (Jota) * O que diz a lei sobre uso do Exército em função de polícia (Nexo) * Saiba quantos e quais são os políticos próximos a Temer investigados (Poder 360) * PIB vai "renunciar" a Temer por reformas (Sakamoto, Uol) * Vítima de arma de fogo no protesto de Brasília respira por aparelhos (Fórum)* ONU e CIDH condenam violência policial durante manifestação em Brasília (Opera Mundi). E para terminar, Eliane Brum: Black Blocs, os corpos e as coisas (El País).
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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Doria: fantasia de uma vida inteira a serviço da limpeza social

Travestido de miliciano purificador da cidade, Doria caminha em meio à destruição da Cracolândia. O olhar determinado que ele mostra na foto é uma ameaça contra  uma sociedade que ele não conhece e pela qual tem profunda aversão


A população de São Paulo só agora vai, aos poucos, tomando conhecimento da personalidade do prefeito que elegeu no ano passado: autoritário, arrogante e praticante exímio da arte cultivada pelo grupo social do qual se origina: a limpeza social da cidade. O tratamento que esse cara deu à Cracolândia obedece a mesma lógica de outras iniciativas suas: apagar o problema a partir de sua higienização ou de seu ocultamento. É uma saga de gerações inteiras.

Na nossa história, foi assim com o branqueamento dos escravos negros ou com sua ocultação como chaga social; na Alemanha, Hitler pensou a mesma coisa com a arianização da sociedade. Com Doria, vale pintar os muros, sumir com a Virada Cultural, alienar os bens públicos ou apropriar-se privadamente deles como aconteceu em Campos do Jordão; varrer obsessivamente as ruas ou, como agora, espalhar o caos e o terror na Cracolândia. Observando bem o olhar envidraçado que o prefeito ostenta nessas ações ajardinadoras da cidade (tudo deve ficar parecido com os Jardins), há ali uma pulsão da personalidade que cultiva um desejo de vingança que vem de longe. Vai saber... O que eu sei é que uma pessoa dessas não pode governar: ela está incapacitada para alargar sua visão sobre o exercício do poder, alargar além da esfera da força e da prepotência e a prova disso é o absoluto zero em que a gestão de Doria se transformou até aqui. Ou alguém é capaz de apontar uma única coisa relevante para a cidade que ele fez desde que tomou posse. O prefeito é uma ameaça...

Leia mais sobre este triste assunto: * Prisões, confronto e fim do Braços Abertos (Jovem Pan) * O que há por trás da ação higienista na Cracolândia? (Cidades para que(m)?) * Cracolândia sitiada: novo urbanismo militar em SP (Terra em Transe) * Operação na cracolândia foi selvageria sem paralelo (Uol) * Gestão Doria inicia demolição de prédio com moradores dentro (El País) * Doria banca de xerife na Cracolândia para se esconder do gangsterismo de Aécio e Temer (Fórum) * O fascismo de cada dia (GGN) * O pequeno prefeito de São Paulo na sua verdadeira dimensão (clipping do blog).

Atualização: * Cracolândia, população carente e reformas de base (GGN) * Doria descumpre promessas, perde secretária e nova cracolândia surge (Uol) * Prefeitura quer internação à força; promotor teme caça humana (Estadão) * MP pede que Justiça proíbais internações compulsórias sob risco de caos em SP (Uol) * Doria serve comida podre a acolhidos da Cracolândia (Folha) * Cracolândia: muito dinheiro por trás da violência (Outras Palavras) * Cracolândia: Doria, um prefeito que não entende de gente (El País) * Com ações apressadas e improvisadas, Cracolândia vira a primeira pedra no sapato de Doria (El País) * Doria vai terceirizar a apreensão na Cracolândia (Estadão) * Justiça suspende liminar que permitia a Doria recolher usuários à força (Folha) * Estratégia de Doria direcionou ação da cracolândia para juiz linha-dura (Folha)
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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Por que Eleições Gerais e Diretas Já?

O empresário e seu funcionário: aliança corrupta nas
costas do Brasil
Henrique Meirelles é outro fantoche do grande capital e um sujeito cuja presença na JBS precisa ser investigada a fundo, principalmente quando, mesmo tendo deixado a função que ocupava, atuou como conhecedor privilegiado das políticas cambiais e tarifárias do governo golpista de Temer

Na foto ao lado, o Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, quando ocupava o cargo de um dos principais dirigentes da JBS, junto com seu patrão, Joesley Batista. Diz a "grande imprensa", não sem um certo prazer mórbido para que o poder não lhe escape das mãos, que Meirelles - um sujeito de reconhecida incompetência na área econômica e que reduz a crise brasileira à subtração de recursos públicos para as áreas sociais -, diz essa imprensa que Meirelles é o nome que está sendo articulado para a eventualidade de uma escolha indireta do substituto de Temer.

A justificativa é tão simples quanto estúpida: é preciso que as reformas continuem sendo tocadas e o nome que tem o respaldo do "mercado" para isso é o do atual Ministro da Fazenda. Não fossem outros os motivos - entre eles o de afastar os interesses econômicos do papel de formuladores únicos do projeto nacional - bastaria esse para justificar por que as eleições têm que ser gerais (para todos os cargos eletivos) e diretas (pela soberania do voto popular).

O oposto das diretas é a pressão ostensiva do "mercado" (que, no noticiário, é o nome de fantasia do capital) para que o sucessor não esmoreça nas "reformas" (o nome de fantasia para a retirada dos direitos). É impressionante como, na imprensa, a necessidade de ouvir a população é desdenhada como irrelevante ou estigmatizada como "golpe" (!), mas as vozes do capital são reverberadas cuidadosamente. O recado é claro: a vontade popular não pode atrapalhar a vontade do "mercado". O casamento entre capitalismo e democracia, que sempre foi tenso, agora se mostra claramente como uma relação abusiva. A regra era que o capital impunha sua vontade pelos mecanismos do mercado, o que já lhe dava um poder de pressão descomunal, mas os não-proprietários tinham a chance de limitar esse poder graças ao processo eleitoral. Essa salvaguarda não é mais aceita. Ela terá que ser imposta novamente ao capital, como o foi nas primeiras décadas do século XX (Mais cinco observações sobre o momento atual da crise, Luis Felipe Miguel, GNN).
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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Temer é um usurpador e deve ser afastado do governo pelo caminho da desobediência civil

O cotidiano brasileiro constroi uma nova paisagem, aquela das
 bandeiras improvisadas que registram a ampla indignação da sociedade
Acho que não há a menor possibilidade de que esse conflito seja resolvido
 plenamente nos marcos da legalidade constitucional  tal como a sucessão
 presidencial nas condições presentes está inscrita na carta de 1988 (foto, El País)
Uma nota perdida no meio de tantas pequenas notícias que gravitam em torno da forma aviltante com a qual Temer se aferra ao poder ilegítimo que tem nas mãos diz respeito a uma entrevista do Presidente do Banco Central (um sujeito que não foi submetido a um único escrutínio sequer para ocupar o cargo que ocupa), llan Goldfajn. Segundo ele, "o governo (...) vai em breve abolir uma regra antiga sobre a entrada de bancos estrangeiros no país: não será necessária a assinatura [sequer] do presidente da República" (leia aqui)

Para Goldfajn, que até ser indicado para o BC era alto funcionário do Banco Itaú, a "formalidade" pela qual o presidente da República chancelava o ingresso de uma instituição financeira para atuar no Brasil era apenas isso, uma "formalidade (...) que produzia uma percepção ruim a respeito do Brasil no exterior". Percepção ruim a respeito do Brasil o exterior, este é o eufemismo com o qual o capital estrangeiro traduz sua disposição em avançar de forma descontrolada sobre mais um dos setores da nossa economia, descapitalizando a riqueza gerada pelo nosso trabalho, como já o faz com as remessas de lucros, com a rapina sobre a Petrobrás e com uma série interminável de mecanismos de transferência de renda do assalariado para a riqueza privada, aliás, a essência da filosofia de todas as reformas cuja implantação está sendo tentada pelo fracassado e repugnante Michel Temer.

Penso que neste momento de verdadeira convulsão política em que o Brasil vive - a rigor, há um vácuo institucional no país que o deixa em absoluto descontrole - é que se evidenciam os verdadeiros objetivos do golpe que destituiu Dilma Rousseff: a alienação integral da soberania como forma de atender aos interesses privados - internos e externos - que impuseram sua estratégia de dominação com a plena conivência do empresariado brasileiro e dos estamentos (valeu, Ailton) que o servem.

Tudo isso pra dizer da minha conclusão (inconclusa, ainda) sobre a significação do momento: o Brasil esta nas mãos de usurpadores. Ainda que sob o artifício da legalidade com a qual os golpistas protegem a selvageria com que estão desconstruindo o país, o fato concreto é que falta a esse grupo o atendimento essencial que a regra democrática exige para que a essência do poder seja cumprida: a representação do interesse nacional e socialmente majoritário. Sem que isso seja atendido o que há é a usurpação arbitrária (ainda que legalizada por meio de subterfúgios até mesmo constitucionais).

Penso que é isso o que alimenta a urgência em destituir o governo, interditando-o nas ruas por meio de uma ampla desobediência civil - "a pedra de toque do Estado democrático de direito", como definiu Habermas -  que caracterize a ruptura definitiva entre sociedade e Estado. A ideia de que é preciso eleições gerais e diretas já, com a qual me identifico profundamente, parece consubstanciar a convicção de que não é a norma jurídica abstrata que constroi a democracia, mas a sua natureza substantiva que faz a lei incorporar a demanda social; não o contrário. Se perdermos isso de vista, a regra constitucional vai transformar o regime político brasileiro numa ditadura legalizada por uma carta de plena extração democrática...

Todos os riscos: * Negociações tentam blindar equipe econômica (Uol) * Só nos resta a desobediência sistemática a todas as ações governamentais (Safatle, Boitempo) * Diretas Já, pelos direitos e pela democracia (Boitempo) * Temer: estou fazendo o que me mandaram fazer e agora querem me tirar? (Sakamoto) * Em 8 anos, JBS doou meio bilhão (Uol) * Lobbies cobram alto pela reforma: R$ 164 bilhões (Poder 360) * Pela previdência, Temer dá prêmio à sonegação (Josias de Souza, Uol) * Bolsonaro: se eu não for candidato, quero ser vice de Aécio (Infomoney).
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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Ocupar o país e desmontar a armação dos empresários: a Democracia nas mãos do povo!

Temer é um fantoche do sistema de assalto corruptor 
promovido pelo empresariado. A redemocratização do país
não exige apenas o seu afastamento; 
exige também a derrubada do Estado que o protege

Penso que estamos diante de um cenário que já era previsível: as novas denúncias contra Temer que vieram a público ontem confirmam a natureza da conspiração que levou ao impeachmnent da presidente eleita Dilma Rousseff: um ajuntamento que colocou de mãos dadas uma fração da representação parlamentar que se submeteu aos interesses do empresariado.

Dito assim, é até possível que a afirmação soe quase como um lugar comum, mas ela permite advertir para a extensão dessa presença espúria da burguesia brasileira na formulação e na proposição das principais reformas em torno as quais o governo que saiu do golpe montou seu esquema de sustentação. É razoável pensar que a CNI, a FEBRABAN, a FIESP tenham pago a Temer e sua quadrilha a Terceirização, a reforma da Previdência e a reforma da CLT? 

A julgar pela desenvoltura com que os lobbies dos empresários vêm atuando na Câmara - e agora também no Senado, praticamente substituindo os parlamentares na elaboração de emendas dessas reformas - tudo indica que a principal dinâmica do retrocesso social que estamos às vésperas de ver aprovado saiu das mãos da representação parlamentar na direção de um poder paralalelo corruptor que hoje, na prática, governa o país. Temer e seus comparsas são meros fantoches disso e a hipótese vai mais além: o comprometimento orgânico dos golpistas com o poder privado pode eventualmente ter incluído a compra de movimentos como o MBL, de jornais, a formação de novos partidos e até mesmo a sustentação dos novos nomes que vêm ocupando a cena política desde as eleições municipais do ano passado.

Sou um entusiasta da campanha pela saída de Temer do governo, mas é preciso que esse esquema que tentei rapidamente descrever acima seja desmontado paralelamente à ocupação das ruas pela população. Minha opinião é a de que o clamor popular pelas eleições gerais e diretas se anime junto com o aniquilamento político desses grupos que dissolveram as instituições e a própria Constituição nacional. Não se trata apenas de substituir Temer; trata-se de mudar a estrutura do Estado brasileiro.

Duas leituras fundamentais: * O fim do governo Temer e a volta das diretas (Luis Nassif, GGN) * A ponte caiu (Maria Cristina Fernandes, Valor) * As gravações que comprometem Temer (TVT)
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sábado, 13 de maio de 2017

Professor Antonio Candido

Antonio Candido (1918-2017)
"Se me perguntassem o que sou essencialmente, eu diria, grifando, que sou professor. Ensinei sociologia, ensinei literatura, mas antes de ser professor disso ou daquilo, não sei se me faço entender, sou visceralmente professor. Tenho gosto e vocação para transmitir aos outros o que sei, e como costumava dizer Antônio de Almeida Júnior, o professor não é obrigado a criar saber, mas sim a transmiti-lo. Esta foi a tarefa que sempre me atribuí. Repito: o que gosto mesmo é de dar aula. Se possível, sem ser interrompido" (referência feita por Elizabeth Lorenzotti no artigo Antonio Candido, um professorpublicado na revista Giz, do SINPRO-SP)

Não sei vocês, mas a minha formação intelectual teria ficado pela metade se eu não tivesse conhecido a obra de Antonio Candido. Penso que o Brasil, que vive a plenitude da mediocridade política e institucional neste exato momento de sua história, perdeu ontem um desses valores que sugerem respostas para as dúvidas de gerações inteiras além da sua própria, mas respostas fundadas na ética do pensamento independente e inquiridor. 

Não quero cair nos lugares comuns que os preitos sempre constroem em torno do desaparecimento de personalidades do calibre de Antonio Candido, mas sem superlativos é difícil dizer alguma coisa sobre ele e sua presença na Cultura brasileira. Como não dá para resumir tudo aqui, reproduzo esta pequena antologia que Outras Palavras publicou com quatro textos dele próprio e de outros autores que são mesmo "pistas para compreender a relevância crucial de sua figura e de suas ideias": Para celebrar Antonio Candido. E ainda sugiro a leitura do ensaio escrito em 1993 por Roberto Schwarz - Antonio Candido - que a Boitempo colocou no ar ontem em meio as centenas de homenagens que um dos melhores intérprete do Brasil mereceu.

Em tempo: * Antonio Candido e o cinema (Amir Labaki, Valor) * "O mundo do meu avô era o meu preferido", rememora neta de Candido (Ilustrada) * A vida, a obra e o legado de Antonio Candido (Jornal da USP).
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Um ano com Temer, um golpe por dia, 365 direitos perdidos (Alerta Social via Outras Palavras)

O último ano no Brasil foi marcado pelo verbo perder. Perdemos a estabilidade garantida pela democracia. Os brasileiros se viram paralisados diante de uma avalanche de perdas de direitos. As possibilidades de diálogos da sociedade com o poder Executivo e com o Congresso foram perdidas e desde o dia 12 de maio de 2016, quando se instalou um governo que não foi eleito pelo voto, se inaugurou um período de perda de certezas e garantias.


* Acesse aqui a íntegra do relatório Um golpe por dia produzido pelo Alerta Social
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sexta-feira, 12 de maio de 2017

Ministro do TST afirma: reforma trabalhista vai rebaixar o patamar civilizatório do Brasil

A ideologia dos empresários brasileiros tem sua matriz em algum momento
do capitalismo do século XIX: privação de proteção do trabalhador
como instrumento radical de acumulação do capital. 
É a essência da reforma trabalhista que está sendo imposta ao país.

(Estadão, 11 de maio) A reforma trabalhista vai retirar direitos dos empregados "com uma sagacidade sem par", porque será em um processo gradual. A avaliação é do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Maurício Godinho Delgado. Em sessão de debate sobre a reforma no Senado, o ministro fez forte discurso contra a mudança na legislação, chegando a comparar o novo contrato de jornada intermitente à "servidão voluntária".

"Como todo respeito, a reforma retirara muitos direitos, mas com uma iteligência, com uma sagacidade sem par", afirmou. "Os direitos poderão ser atirados no dia a dia da relação de emprego, completou Delgado.

O ministro do TST dá como exemplo o trecho do projeto que estabelece que benefícios como ajuda de custo, auxílio alimentação, anos e diárias para viagens não são parte do salário. "Ao fazer isso, tecnicamente, a reforma já está rebaixando o ganho econômico do trabalhador, sem contar que está rebaixando também a arrecadação do Estado", defendeu (a matéria inteira do Estadão está aqui).
Leia mais: * Reforma trabalhista, modernização catastrófica e a miséria da República brasileira (Boitempo) * Lobistas de bancos, indústrias e transportes estão por trás das emendas da reforma trabalhista (The Intercept) * O contexto da entrega do país e da crueldade contra os brasileiros (post do blog via GGN) * Os 201 ataques da "reforma" aos trabalhadores (Jorge Luiz Souto Maior) * Reforma trabalhista fortalece o patrão e o trabalhador não vai ter a quem recorrer (The Intercept) * Governo usa dinheiro do contribuinte para "comprar reforma da Previdência" (Sakamoto) * CNTC contesta reforma trabalhista e faz contraproposta (Agência Sindical) * Discutindo a reforma Trabalhista (Santana, Sinpro-Sp).
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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Engrandecido

Lula falou à multidão que foi a Curitiba apoiá-lo no confronto com Sérgio Moro. O cenário que cercou o evento político em que se transformou seu depoimento foi muito bem traduzido na postagem de Ailton Medeiros no twitter (@blogdoailton): "Juiz escoltado, procuradores escoltados, imprensa escoltada. Só quem chega livre, leve e solto, nos braços do povo, é o réu"

Serenidade, altivez e segurança, essas me parecem ter sido as marcas do depoimento que Lula prestou a Sérgio Moro em Curitiba. Em alguns momentos, o ex-presidente da República colocou o juiz em puro constrangimento diante de suposições que nem mesmo um estagiário ousaria fazer tais eram as fragilidades que as sustentavam. Do lado de fora, nas ruas próximas ao Tribunal, uma massa de 50 mil pessoas exultava no apoio a Lula, enquanto mirrados 100 cidadãos procuravam ofendê-lo. A mídia do seu lado, se contorcendo para que a história fosse outra, reportou uma audiência que não existiu e deturpou os fatos como vem fazendo desde sempre. 

Sugiro conferir nas matérias abaixo:

* Lula no centro do palco da Lava Jato. Reflexões sobre os desdobramentos do 'depoimento de Curitiba' (IHU)* Lula cobra provas, acusa Lava Jato de politização, mas contradiz seu instituto (El País) * Lula diz a Moro que denúncia é uma farsa (Valor Econômico) * Moro fez cena política perguntando sor Mensalão (GGN) * O boato desmentido, pode antecipar o golpe fatal da direita (Jornalistas Livres) * Juiz que suspendeu Instituto Lula atribuiu decisão a pedido do MP que não existiu (Uol) * Lula discursa a apoiadores após depor (El País) * Xadrez do segundo nascimento do mito Lula (GGN) * Moro estava errado: não foi um ato banal (Bernardo de Mello Franco, Uol) * Quem comanda o espetáculo (Maria Cristina Fernandes, Valor) * Como o depoimento de Lula repercutiu na imprensa internacional (Opera Mundi) * O que a grande mídia escondeu do depoimento de Bumlai sobre Marisa (GGN) * Ponto de Vista: Moro x Lula - uma confissão na luta que (ainda) não diz seu nome (Sylvia Moretzshon, Objethos).
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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Enquanto isso, do lado de fora das cercas e esconderijos dos golpistas...

Foto: Ricardo Stuckert
Brasil amanhece neste 10 de maio sitiado: cercas e bunkers de todo o tipo tentam proteger os canalhas que atuam no Congresso, no Planalto, nos Tribunais. O objetivo é garantir a segurança de uma elite repudiada pelo povo...

Leia também * A Operação Lava Jato e o "estado" do estado de direito no Brasil (GGN) * Por trás do embate Moro x Lula (The Intercept)
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domingo, 7 de maio de 2017

Quem são os autores da reforma trabalhista? (The Intercept via Outras Mídias)

Uma fraude no processo legislativo
A reforma trabalhista que Temer procura aprovar na Câmara dos Deputados guarda um segredo de polichinelo: ela foi pensada e formulada pelos lobbies dos empresários que atuam no Congresso em cumplicidade com parlamentares que se dispõem a servir aos seus interesses. No fundo, trata-se de uma espécie de nota promissória que Temer resgata agora pagando a dívida política que contraiu com os que conspiraram contra a presidente eleita Dilma Rousseff.

O site Intercept publicou semana passada uma excelente reportagem sobre os esquemas montados em torno das emendas que foram apresentadas à comissão da Reforma e conseguiu identificar o verdadeiro duto de burla das normas constitucionais que acabaram configurando as mudanças naquilo que elas têm de essencial: caso seja mesmo aprovada, o Brasil passa a figurar entre o reduzidíssimo número de países que praticam contra seus trabalhadores uma política de ódio social e de segregação em proporção inversa ao tratamento que dá aos empresários.

A seguir, a matéria dos repórteres Alline Magalhães, Breno Costa, Lúcio Lambranho, Reinaldo Chaves, do Intercept. O texto copiado aqui foi extraído do site Outras Mídias.

Quem escreveu a reforma trabalhista

Lobistas de associações empresariais são os verdadeiros aurtores de uma em cada três propostas de mudanças apresentadas por parlamentares na discussão da Reforma Trabalhista. Os textos defendem interesses patronais, sem consenso com os trabalhadores, e foram protocolados por 20 deputados como se tivessem sido elaborados por seus gabinetes. Mais da metade dessas propostas foi incorporada ao texto apoiado pelo Palácio do Planalto e que será votado a partir de hoje (a matéria é de 3 de maio) pelo plenário da Câmara.

The Intercept Brasil examinou as 850 emendas apresentadas por 82 deputados durante a discussão do projeto na comissão especial da Reforma Trabalhista. Dessas propostas de “aperfeiçoamento”, 292 (34,3%) foram integralmente redigidas em computadores de representantes da Confederação Nacional do Transporte (CNT), da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística). Continue a leitura aqui.
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sábado, 6 de maio de 2017

O consulado dos interesses privados

Poder estamental mistura-se ao
interesse econômico privado
 na pressão sobre Temer
Interesses privados batem aos montes nas portas de Temer, cada um deles buscando tirar sua vantagem do estado de apodrecimento institucional em que o país vive. O presidente impostor, do seu lado, está disposto a tudo para saldar a dívida de sua chegada ao governo pelo golpe do impeachment. No final das contas  no entanto, é a sociedade que vai pagar a conta da rapina... se não se insurgir antes contra essa turma de facínoras

Não é preciso nenhuma especialização técnica em qualquer área do conhecimento para compreender a natureza da crise brasileira: o que estamos vivendo é a configuração de um regime que lembra muito o consulado instituído na França sob o controle de Napoleão: reformas burguesas autocráticas conservadoras que estão sendo impostas à sociedade brasileira à sua revelia em consequência do desmantelamento da representação parlamentar. Os caras que estão promovendo as mudanças anti-sociais de agora não têm qualquer legitimidade para fazer o fazem, são usurpadores... mas agem com tal voracidade que põem em risco os fundamentos de seu próprio poder. 

A lógica desse processo tem um custo pois que só é possível ser implementada com um mecanismo cruel de transferência de renda da sociedade para os interesses privados que se estendem por todos os setores da economia. A dúvida é saber até onde esse esgarçamento do tecido social resiste antes que uma convulsão civil tome conta do país: unidades novas do SUS (mais de 1100) não podem ser abertas; não há condições de investimento em infraestrutura, como admitiu o próprio Meirelles; os empresários cobram mais crédito subsidiado do BNDES; Temer abre concessões irrestritas para a exploração do pré-sal. Enquanto isso, o mesmo governo negocia dívidas dos ruralistas para ampliar sua margem de votos favoráveis à reforma da Previdência e assegura religiosamente o pagamento dos bancos, que vivem na fartura de lucros despoliciados como nunca se viu em parte alguma do mundo...

Sei não... É difícil imaginar como uma tal retração na economia em proveito de um único setor, ao lado da precarização de direitos sociais que até agora asseguravam alguma consistência do mercado interno, pode dar certo. Certamente não dará...

Leia mais. * Empresários saqueiam o país em triste espetáculo de corrupção e venalidade (Estadão) * Brasília nas mãos de aproveitadores da covardia de Temer (Estadão).
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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Temer admite ter cometido crime eleitoral em 2014

Embora considere "insignificante" o valor que recolheu para a campanha eleitoral de 2014, Michel Temer não desmentiu a acusação de que cometeu o crime pelo qual deve ser afastado do cargo que ocupa ilegal e ilegitimamente desde o ano passado. Em entrevista dada à Rede Tv (assista aqui), o "presidente", com todo o cinismo que marca sua conduta, defende seu desligamento do processo que julga a chapa que integrou com Dilma Rousseff.

Cercado de corruptos por todos os lados - aliás, ele próprio citado várias vezes na Lava Jato -, Temer se orgulha de patrocinar as reformas mais anti-sociais da vida brasileira e de passar à história como o governante que sacramentou o ódio de classes no país.
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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Rejeitado por 96% dos brasileiros, afinal quem é que sustenta e apoia Temer?

Bancos privados registram aumento no lucro no primeiro trimestre 

(via Luis Nassif on line)

Em meio a uma crise econômica que não dá sinais de retroceder, com um desemprego que ultrapassa a marca das 14 milhões de pessoas, os bancos privados registraram aumentos em seus lucros no primeiro trimestre deste ano.
Hoje (3), o Itaú anunciou que seu lucro recorrente entre janeiro a março de 2017 chegou a R$ 6,176 bilhões, um aumento de 6,2% na comparação com o trimestre anterior e de 19,6% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. 
O lucro líquido do maior banco privado do país alcançou R$ 6,05 bilhões, uma elevação de 9,2% em relação ao último trimestre de 2016 e de 16,7% na comparação anual (leia aqui a íntegra da matéria).

Saiba quanto custa o apoio dos empresários a Temer: * Executivos pedem corte de juros e crédito do BNDES (Valor Econômico) * Por que as grandes empresas zombam da crise (Outras Palavras)

O partido dos ruralistas: * Ruralistas têm respaldo para fazer o que quiserem (IHU) * 2016 tem aumento de 232% na expulsão de famílias do campo (De olho nos ruralistas) * Vítimas de chacina em MT foram assassinadas com tiros e golpes de facão (Estadão) * Vitimas de MT foram mortas a tiros e facadas (Uol) * Após chacina em MT, Brasil já tem ao menos 19 mortes no campo em 2017 (Uol).
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terça-feira, 2 de maio de 2017

As bases de Temer

Para 64% dos brasileiros, novas leis trabalhistas beneficiam os patrões (leia a matéria completa)

A mídia sob encomenda do poder

"Sofremos uma escandalosa manipulação midiática" Carta  Capital

Uma mídia corrompida pelos interesses privados de seus proprietários: 
a falência da esfera pública
Retrato do estágio de dissolução dos princípios sagrados do jornalismo: 
Temer encomenda apoio às reformas anti-sociais a rede de televisão. 
Prontamente atendido, claro, num cenário de manipulação que oprime todos
 os profissionais da área. Com isso, a sociedade brasileira fica órfã
 de um noticiário sério e independente

* Greve geral mostrou vergonhoso momento da mídia tradicional brasileira (Poder 360) * Sofremos uma escandalosa manipulação midiática (Carta Capital) * Números não mentem: rolo compressor midiático trabalha em favor das reformas (The Intercept - Brasil).

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