sábado, 6 de maio de 2017

O consulado dos interesses privados

Poder estamental mistura-se ao
interesse econômico privado
 na pressão sobre Temer
Interesses privados batem aos montes nas portas de Temer, cada um deles buscando tirar sua vantagem do estado de apodrecimento institucional em que o país vive. O presidente impostor, do seu lado, está disposto a tudo para saldar a dívida de sua chegada ao governo pelo golpe do impeachment. No final das contas  no entanto, é a sociedade que vai pagar a conta da rapina... se não se insurgir antes contra essa turma de facínoras

Não é preciso nenhuma especialização técnica em qualquer área do conhecimento para compreender a natureza da crise brasileira: o que estamos vivendo é a configuração de um regime que lembra muito o consulado instituído na França sob o controle de Napoleão: reformas burguesas autocráticas conservadoras que estão sendo impostas à sociedade brasileira à sua revelia em consequência do desmantelamento da representação parlamentar. Os caras que estão promovendo as mudanças anti-sociais de agora não têm qualquer legitimidade para fazer o fazem, são usurpadores... mas agem com tal voracidade que põem em risco os fundamentos de seu próprio poder. 

A lógica desse processo tem um custo pois que só é possível ser implementada com um mecanismo cruel de transferência de renda da sociedade para os interesses privados que se estendem por todos os setores da economia. A dúvida é saber até onde esse esgarçamento do tecido social resiste antes que uma convulsão civil tome conta do país: unidades novas do SUS (mais de 1100) não podem ser abertas; não há condições de investimento em infraestrutura, como admitiu o próprio Meirelles; os empresários cobram mais crédito subsidiado do BNDES; Temer abre concessões irrestritas para a exploração do pré-sal. Enquanto isso, o mesmo governo negocia dívidas dos ruralistas para ampliar sua margem de votos favoráveis à reforma da Previdência e assegura religiosamente o pagamento dos bancos, que vivem na fartura de lucros despoliciados como nunca se viu em parte alguma do mundo...

Sei não... É difícil imaginar como uma tal retração na economia em proveito de um único setor, ao lado da precarização de direitos sociais que até agora asseguravam alguma consistência do mercado interno, pode dar certo. Certamente não dará...

Leia mais. * Empresários saqueiam o país em triste espetáculo de corrupção e venalidade (Estadão) * Brasília nas mãos de aproveitadores da covardia de Temer (Estadão).
______________________________

Nenhum comentário: