sexta-feira, 9 de junho de 2017

Derrubar Temer e o sistema que o sustenta

Uma cena digna de um filme de Gavras ou Coppola
Temer gerou ao redor de si  sistema semelhante ao organismo cujas células aprenderam a se alimentar umas às outras a partir de suas fragilidades. É esse sistema que se constitui no objetivo número um da luta que a sociedade trava para resgatar seus direitos e soberania. É preciso derrubá-lo e, para isso, as ruas devem ser ocupadas...

A crise em que estamos mergulhados contradiz a lógica de que é o apoio do capital que dá sustentação a um governo. É possível pensar num cenário em que os estamentos políticos conservadores - ainda que tenham sido estimulados à partida pela burguesia - ganharam autonomia suficiente para que pensem em desenvolver uma estratégia própria destinada a atingir objetivos programáticos que incorporaram à sua prática política? Penso que sim e acho que esse é o contexto que pode levar o Brasil a um retrocesso social de proporções inimagináveis.

O que me parece dar consistência a essa hipótese são as ramificações que o núcleo político formado em torno de Michel Temer construiu nesses 12 meses de exercício do poder, todas elas recompensadas pelo atendimento de suas demandas, uma espécie de cooptação sistêmica que fez fluir para o Planalto a dispersão que um governo sem projeto naturalmente provocou no seu nascimento. Seja pela contrapartida de compadrio material ou simbólica (verbas e cargos) em troca do apoio, seja pela cumplicidade nos mecanismos de corrupção que marca a história desse grupo (Moreira Franco, Padilha) ou ainda pelo respaldo da mídia ao caráter técnico das reformas (Meirelles), o fato é que o governo que emergiu do golpe conseguiu formar em torno de si uma blindagem que vai prologando sua vida em meio a um ambiente socialmente hostil (96% de rejeição popular) mas organicamente inofensivo.

Penso que só há um antídoto para a ameaça que o êxito desse sistema representa: a ocupação das ruas em torno de uma ênfase radical à exigência de afastamento de Temer, pois que é ele o instrumento central desse Estado que se estruturou no seio do governo. Sem ele, a casa cai.

Atualização:

Parece que o desfecho do julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE comprova a prioridade número 1 que os movimentos sociais e sindical devem dar ao afastamento de Temer. O que se evidenciou ali - a par do vergonhoso comportando de juízes manipulados e manipuladores liderados por Gilmar Mendes - foi a prova de que o presidente continua sendo o eixo central da trama golpista.

Em segundo lugar, retiro de uma discussão feita no meu grupo de professores um aprendizado que o TSE nos oferece: que tumor maravilhoso nós estamos vivendo... em que a retirada do tecido doente sacrificaria uma parte saudável do organismo... não sei como simplificar essa contradição... mas ela é de uma riqueza muito grande...  fora Temer e diretas já. A luta continua. A greve do dia 30 terá que ser um êxito só

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