terça-feira, 25 de julho de 2017

Enquanto isso, nas ruas...

E se a classe média de Pinheiros tivesse se omitido?
Na Praça da Sé, moradores de Pinheiros protestam
 contra a violência da PM
(foto El País)
O artigo é de Eliane Brum, mais uma vez copiada neste blog pelo absoluto mérito de sua narrativa, contundência de argumentos e postura emancipada da jornalista que já é paradigma do que a crônica política produz de melhor na imprensa brasileira. 

Brum não deixa por menos: "No Brasil em que um denunciado por corrupção segue ocupando a presidência e, para se manter no poder, rifa a Constituição e compra deputados com o dinheiro público que falta para o essencial; no Brasil em que a pauta não eleita avança numa velocidade antes nunca vista, mastigando direitos conquistados em décadas; no Brasil em que o maior líder popular da redemocratização foi condenado pela Lava Jato e seu partido se recusa a fazer autocrítica, porque acha que não deve nenhuma explicação à população sobre o fato de ter se corrompido no poder; no Brasil em que tudo isso acontece e a maioria prefere dormir no sofá (enquanto ainda o tem) a ocupar as ruas para lutar pelos seus direitos... algo transformador finalmente aconteceu", diz ela referindo-se à execução criminosa do catador Ricardo Silva do Nascimento ocorrida no dia 12 de julho (leia aqui a  íntegra do texto de Eliane Brum).

Posso estar enganado, mas a manifestação espontânea dos moradores de Pinheiros - um bairro de classe média onde o consumismo desenfreado anda lado a lado com os significantes culturais da modernidade tardia - indica uma espécie de esgotamento com o quadro desolador em que vivemos. As ruas vazias, como ressalta a matéria publicada em Carta Capital (O silêncio das ruas do Brasil), expressam um silêncio nervoso, eventualmente reflexo do turbilhão de desmandos noticiados todos os dias; mas também me parece refletir um tensionamento potencialmente explosivo presente no absoluto desprezo que essa turma de malfeitores recebe de praticamente todos os segmentos sociais. Torço para que essa coisa toda vire de ponta-cabeça.

Leia mais: * Governo federal tenta comprar fazenda para socorrer amigo de Temer  (El País) * Demarcação de terras indígenas é retrocesso de 50 anos (El País) * Membros do MBL ocupam cargos por todo o país (Folha) * Chances de Bolsonaro são  desistência de um Brasil moderno (Folha) * O vergonhoso apoio dos empresários à erradicação dos direitos sociais no Brasil (clipping do blog)
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