quarta-feira, 26 de julho de 2017

Camarilha da corrupção político-empresarial leva Temer nas costas até o fim

Maia e Alckmin: blindar Temer a qualquer custo, antes que
o poder nos escape das mãos. A opinião pública que rejeita
o presidente em impensáveis 94% que se dane. No sistema
de controle político-empresarial-midiático
 estabelecido
no país, eleitores já não decidem
Se faltava algum indício ou evidência da conspiração que instalou um novo tipo de ditadura no Brasil, três noticiais divulgadas ontem atestam que nossa fragilidade institucional atingiu o fundo do poço. A primeira vem dos resultados do levamento feito pela Ipso Public Affairs: Temer chegou ao maior índice de reprovação jamais visto em parte alguma por um governante: 94%. O número recorde de rejeição de sua presença na presidência da República foi atingido antes do aumento do preço da gasolina. Fosse feita hoje, é razoável pensar que a pesquisa indicasse percentual negativo ainda mais alto. Processos históricos clássicos atestam que numa situação de tal isolamento do governo, não há forma de sustentação política exceto pela via da força. No Brasil, no entanto, o mecanismo de sustentação de Temer se dá pelo consenso daquilo que chamo de camarilha político-empresarial em torno da necessidade de mantê-lo no poder ainda que à revelia da sociedade.

Esse descolamento que me parece ocorrer entre os canais de representação política e a opinião pública - duas instâncias que se divorciam de forma disruptiva desde as denúncias da JBS sobre o envolvimento do presidente com a corrupção - é o que tem garantido que a sustentação de Temer vai permanecer intocada e impune e será levada adiante até que todos os crimes contra o país possam ser cometidos, em especial as reformas.  "Michel Temer fica até o fim do mandato", sentenciou o participante da articulação montada em São Paulo entre o DEM e o PSDB (leia aqui) destinada a concretizar o pacto pela blindagem parlamentar e midiática da figura do presidente. Ruim com ele, pior sem ele, deve ser o raciocínio dos principais protagonistas do jogo sucessório que começa a ser jogado, lógica que põe no lixo qualquer preocupação com a sustentação eleitoral do esquema. Ao ponto em que chegamos, o controle do poder político prescinde da democracia, tal é o silêncio das ruas em relação à rapina a que o país está sendo submetido, uma variável fundamental levada em conta na reunião de São Paulo, principalmente depois que Paulo Skaf concordou em ficar quieto mesmo com a alta de impostos de Meirelles.

Esse caráter meramente acessório que o sistema democrático de deliberação acabou por atingir no país - fato que virtualmente nos coloca numa ditadura de fato, ainda que não de direito - já não é mais alguma coisa cochichada desde o golpe contra Dilma; agora já é elemento constitutivo até mesmo em torno de um argumento de peso: as eleições de 2018 podem representar um risco e não uma solução para o país, já que, como a mídia golpista insiste em narrar, "sua realização colocaria em xeque a estabilidade econômica e as reformas" - na hipótese de uma vitória de alguma força fora desses padrões de manipulação. O principal sinal desse ardil veio na matéria publicada no jornal Valor Econômico de ontem (25 de julho), em coluna assinada por Angela Bittencourt (Eleições podem impor retrocesso às reformas): segundo a jornalista, o tal "mercado" pretende jogar pesado na consagração do PSDB na corrida presidencial, qualquer que seja a disposição do eleitorado. Não é um cenário desconhecido dos brasileiros: o capital faz a maioria de alguma forma, com ou sem voto, ainda que as eleições tenham que ser realizadas. Será que serão realizadas? Certamente não, na hipótese de que uma candidatura de centro-esquerda, desenvolvimentista e socialmente comprometida empolgue as massas...

Três leituras: * Qual a utilidade de Temer? (Poder 360) * Meirelles ganhou R$ 217 milhões fora do país antes de virar ministro (BuzzFeed, via Uol) * Temer e a deterioração do quadro fiscal (Estadão) * Concessões de Temer para se salvar detonam ajuste fiscal de Meirelles (El País) * Alianças espúrias: Um cobertor curto para Jucá e Meirelles (Maria Cristina Fernandes, Valor) * Gestão Temer tem 70% de reprovação (Valor)
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