segunda-feira, 17 de julho de 2017

Terá sido "o quinto ato conclusivo" da revolução burguesa no Brasil?

Henrique Meirelles, uma figura medíocre e venal na formulação
de políticas de desenvolvimento, mas exímio defensor do capital 
especulativo ao qual ele aluga o que sabe fazer melhor:
a minimização do social como instrumento de transferência da
riqueza gerada pelo trabalho para as mãos dos empresários. 
A referência feita no título da postagem eu tomo emprestada de Mário de Andrade tal como aparece na obra de Carlos Guilherme Mota - Ideologia da Cultura Brasileira, 1977, p.85). Trata-se de um quase desabafo do autor de Macunaíma a propósito do balanço intelectual da geração à qual pertenceu durante e depois do movimento Modernista. Tem pouco a ver diretamente com a crise política e moral que estamos vivendo no Brasil de hoje, mas tem muito a ver com a ideia de que a aprovação da reforma da CLT semana passada pode ter sido o fechamento de um ciclo da revolução burguesa em nosso país, que eu vejo como um processo que se desdobra em cinco etapas desde a Revolução de 1930.

Talvez um processo de média duração que encontrou nas práticas da conciliação política adotadas ao fim do regime militar o espaço para a plena hegemonia neoliberal assegurada com o golpe parlamentar que derrubou Dilma Rousseff no ano passado.

Eu francamente tenho dúvidas em especular sobre os desdobramentos que isso terá na vida nacional, já que as mudanças na legislação trabalhista vêm associadas ao apodrecimento quase literal das instituições do Estado e de suas formas de representação, mas é possível imaginar, como o fez Moniz Bandeira, que estamos às vésperas de uma convulsão social, tal é a selvageria que passa a imperar nas relações sociais (leia aqui), alguma coisa parecida com as causas da Comuna de Paris, em 1871. Aliás, sintomas dessa indignação e desprezo popular já podem ser percebidos em episódios relatados nas indicações de leitura feitas abaixo. O certo é que o "quinto ato conclusivo" dessa burguesia meia boca como é a brasileira, é um ato de confronto e de açodamento da luta de classes. Pessoalmente, não acredito que haja possibilidade de conciliação a partir de agora.

______________________________

Nenhum comentário: