quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Aulas de seitas religiosas no ensino público: STF põe o Brasil no fundo do poço

Malafaia: já pensaram um cara desses (ou algum de seus seguidores)
 dando aula de religião para nossos filhos?
A decisão do STF sobre o ensino de seitas religiosas específicas nas escolas públicas consuma o estado de deterioração institucional, política e doutrinária em que o país vive. Em substância, o que os ministros deliberaram com base nos toscos argumentos de Alexandre de Morais significa permitir que a cultura laica que deve inspirar a Educação possa conviver com traços de distinção filosófica que se dá na esfera privada do indivíduo e da família. Abrir a trincheira da escola ao confessional é o mesmo que entregar a educação ao doutrinamento fundamentalista que obscurece a natureza do ensino. O STF permitiu que a polarização irracional e obscurantista que estamos assistindo no país inteiro se torne programática e curricular. Um erro que vai na contra-mão da modernidade.

Há, no entanto, um outro aspecto que me parece tão grave quanto esse: a dimensão política que as seitas evangélicas adquiram no Brasil. A rigor, essas seitas têm pouco a ver com religião e muito a ver com um caráter orgânico partidário que certamente contaminará todo o ensino. É possível imaginar que um preposto do "bispo" Malafaia tenha condições de ministrar algum conteúdo, qualquer que seja ele, a estudantes? A hipótese de que as disciplinas de orientação religiosa se transformem em espaços de doutrinação política nas mãos de velhacos como Macedo, Soares e o próprio Malafaia é aterradora. Pois é isso o que a decisão do STF permite.

A sociedade brasileira está mesmo diante de um desafio extraordinário.

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