domingo, 17 de setembro de 2017

Esses caras destruíram o Brasil...

Uma distopia que vai ganhando o perfil da
r
ealidade: a obra prima da elite brasileira
Postei no Facebook a lúcida entrevista que Luis Fernando Veríssimo deu ao jornal Extra Classe do SINPRO-RS. Dono de uma inteligência que se revela a cada enunciado com que faz referência ao cotidiano, Veríssimo aparentemente não alimenta mágoa alguma pelo dissabor de ter sido demitido da RBS muito menos por estar assistindo ao vexame do encolhimento do nosso pais. Para o criador do Analista de Bagé, o brasileiro está mudando de caráter, constatação que me permitiu acrescentar na chamada que fiz no Face: "vamos nos transformando num país triste, provinciano, amedrontado pelo moderno; uma nação atrofiada". O resultado acabado do golpe de 2016, por isso, não me parece ser a desmontagem sutil da democracia e dos direitos sociais ou o pífio êxito econômico registrado nos 0,2% de crescimento do PIB, mas o invólucro ideológico obscurantista a que estamos sendo submetidos pelo MBL, por Bolsonaro, por Doria e pelo complexo midiático que acompanha e enaltece de forma sistemática essa nova construção do imaginário nacional.

O raio de abrangência desse processo está longe de se circunscrever ao episódio da mostra do banco Santander em Porto Alegre ou ao rastro de medo que a intimidação da arte livre, que o conceito especulativo e que a desobediência ao cânone, qualquer que seja ele, sofreram nos últimos dias. Penso que há uma consequência pior: a naturalização dessas variáveis no espaço do cotidiano de forma a que sejam aceitas como vicissitudes normais e inapeláveis. Em outras palavras: a fascistização da vida em todas as suas dimensões - como ocorreu na Itália, na Alemanha e no Japão nos anos 30 do século passado. Inútil ficar imaginando que isso é passageiro ou que há, em alguma instituição governamental, alguém zeloso da cultura humanista que imaginávamos consolidada no país. O que há é um grupo de bandoleiros e fascínoras que acabaram por se especializar em reforçar o avesso desse horizonte. 

Levando em conta o quadro de dissolução do movimento sindical (leia o post No Brasil, luta de classe é ficção) e a perda de qualquer referência da representação partidária (leia em O Brasil patrimonialista, o esgotamento e a desorientação das forças políticas, IHU), penso que está na cultura e na ação militante dos professores a possibilidade de resgate de um curso histórico progressista e emancipador, de claro perfil socialista). Uma resistência civil dessa ordem deve instituir o simbólico contra-hegemônico como forma de luta que interdite a legitimação da ditadura que está instalada no país.

Leia ainda: * Varoufakis: "austeridade", o ovo da serpente (Outras Palavras) * Mesmo com imagens eróticas mais cruas na internet, Facebook veta seios (Ilustríssima) * Na Web, 12 milhões difundem fake news políticas (Estadão) * Por que um periódico científico aceita um artigo moralmente impalatável (Folha).
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