segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Flávio Rocha está nu

A Folha publicou na edição de ontem (domingo) uma espécie de manifesto pessoal do empresário Flávio Rocha. Para quem não sabe, o cidadão é dono das Lojas Riachuelo e vem se caracterizando no cenário nacional como um dos mais atrasados porta-vozes da direita brasileira. No receituário que recomenda para o país, o autoindicado companheiro de chapa de Doria à presidência da República, advoga a prática da terra arrasada no campo dos direitos sociais e em relação à presença do Estado na economia: um conceito que hoje vem sendo revisto no mundo inteiro mas que, para Rocha, nos limites do capitalismo periférico e parasitário do qual é representante e beneficiário, apresenta-se como o remédio ortodoxo que precisa ser enfiado garganta abaixo do povo. Na verdade, é um ingrato. Sua extraordinária fortuna certamente deve muito aos estímulos desenvolvimentistas que a economia recebeu do Estado ao longo da história moderna do Brasil.

O artigo publicado ontem, no entanto, não fala disso. É um exercício de formulação ideológica no qual o dono da Riachuelo formula os princípios da sua rancorosa filosofia política. Digo rancorosa e acrescento: anacrônica. Nem mesmo nos momentos de maior fervor doutrinário do macarthismo ou naquelas conjunturas marcadas pelas manifestações medievais da entidade chamada Tradição, Família e Propriedade (TFP) o pensamento de extrema direita e de ódio anti-comunista chegou a um nível semelhante de irracionalidade e de grosseria. 

Deve ter uma vida muito triste o Sr. Flávio Rocha pensando a justiça social nos termos em que ele pensa. Um mundo construído a partir da negação do outro e do medo.

A matriz do medo, se fosse possível
sintetizar o que é o livro que inspira
Rocha
(leia aqui)

Ps: O título do artigo de Flávio Rocha é copiado do livro homônimo escrito em 1958 pelo ex-agente do FBI Cleon Skousen. Espécie de manual que se aproveitava do pânico que a corrida nuclear e a guerra fria despertava nos Estados Unidos, a "obra", em termos de uma teologia fascista rivaliza com o romance A revolta de Atlas da escritora Ayn Rand, hoje transformado em obra de referência do MBL. Somando tudo isso, penso eu que estamos diante de um dos pontos mais baixos da história do pensamento ocidental. Flávio Rocha com seu artigo, mostra que essa escatologia ainda não se esgotou.
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