quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O contorcionismo liberal

Bolsonaro é o que é, e nem faz muita questão de esconder isso, como mostra o gesto da foto. Quem esconde o que é são os grupos civis que, mais uma vez, ouvem e gostam do canto da sereia da anti-democracia e se desdobram em trejeitos vergonhosos para disfarçar isso...
A filiação ideológica de Bolsonaro tem extração conhecida e sua aberta simpatia pelo regime militar e por seus agentes ele nunca escondeu. Aliás, ninguém como ele levou tão longe essa afinidade como quando na vergonhosa sessão da Camara de 17 de abril de 2016 o capitão manifestou-se pelo impeachment de Dilma Rousseff: na hora de votar, o agora pré-candidato a presidente da República, criou para si um patrono - o homem que simbolizou em inúmeras acusações os porões da tortura  - a despeito de todo o repúdio público que isso pudesse provocar (assista aqui).

Que Bolsonaro agora procure quem o repagine e o vista em roupa de cordeiro me parece natural e decorrência do regime de visibilidade que o processo eleitoral vai imprimindo a todos os candidatos. Alguém já disse que a eleição é um jogo de sombras e que, na sua essência, o que rola é um sistema de representações cênicas; personas que desfilam à nossa frente nos fazendo crer que são outra coisa e não aquilo que verdadeiramente são. Pois eu acho que é isso mesmo, uma prática inerente ao exercício da democracia que atinge todos os atores da esfera pública. Essa naturalização do simulacro, no entanto, não é franqueada indistintamente porque nem todos os atores atuam aí com o mesmo senso de discernimento e nem todos estão autorizados a transformar a farsa eleitoral em instrumento de poder (continue a leitura).
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