terça-feira, 7 de novembro de 2017

O triste legado do golpe

O que ocorreu no SESC Pompéia de SP nesta 3a feira foram representações bem  próximas da massa de manobra posta a serviço de instintos adormecidos da sociedade  brasileira. 
Não conseguimos reconhecer o país em que nos transformamos, nem localizar as cultuadas tradições de cortesia e amabilidade com as quais sempre fomos caracterizados. O golpe do impeachment, sob a orquestração ideológica de uma rede de parlamentares corruptos e de empresários facínoras, parece ter apagado uma nação que nosso imaginário construiu. No final das contas, o que resultou do descalabro político e econômico em que vivemos foi o culto do ódio através de práticas muito semelhantes na essência às patrulhas das SAs nazistas ou aos camisas negras de Mussolini.


 Manifestantes protestam contra e a favor de
 Judith Butler em São Paulo
(Folha)
Isso tudo transformou o Brasil em objeto de escárnio no mundo inteiro, motivo de chacota e de desprezo diplomático. E não é para menos: cruzamos o limiar da modernidade no sentido contrário e abandonamos a companhia de países que procuram equilibrar a selvageria do capitalismo com políticas de bem-estar social. De uma nação que se orgulhava de sua legislação de proteção ao trabalho, transformamo-nos em pastagem das grandes empresas, dos grandes bancos e das grandes fogueiras que incensam gêneros e cientistas, diversidade religiosa e dissenção política. Os golpistas nos puseram de joelhos.

* Na minha opinião, a melhor matéria sobre o que aconteceu: * As vozes da pequena grande batalha do Sesc Pompeia (El País). E ainda, no mesmo jornal: * A obra de Judith Butler para entender os discursos de ódio contra ela * Entre fuzis e fogueiras, é preciso enfrentar as trevas do fanatismo (Magali Cunha, Carta Capital).
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