segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Brasil sem rumo

O atraso industrial brasileiro é estrutural e a burguesia não tem projeto para superar limitações políticas e ideológicas que a condenam a pensar a acumulação de capital exclusivamente como exploração do trabalho

A revista IHU on-line reproduz em seu último número a entrevista na qual o Prof. Marco Antonio Rocha, da Unicamp, analisa as variáveis que explicam o atraso industrial brasileiro e a incapacidade que a economia nacional tem de superar as limitações de natureza estrutural que nos condenam à reprodução indefinida da condição subalterna do Brasil no cenário internacional. O depoimento e Rocha é, a rigor, um documento que elucida um círculo vicioso: sem projeto de desenvolvimento nacional, nossa burguesia acomodou-se a imaginar que a saída para o seu atraso acenta-se sobre três pilares: inserção no capitalismo global (com graves perdas relativas em decorrência da disparidade econômica com nossos parceiros); dependência do Estado (pelo caminho de benefícios fiscais e sistemas de proteção que tolhem sua competitividade); e ultra-exploração do trabalho (pelo caminho da mais cruel legislação trabalhista em vigor no mundo inteiro).

O resultado é o que se vê: a anti-democracia como regime inerente a essas práticas e um profundo desprezo pelo potencial representado pelo mercado interno, deixado de lado em proveito de uma (suposta) vantagem permitida pela globalização neoliberal. "Não há país de dimensões como as do Brasil que tenha se desenvolvido somente a partir de sua inserção internacional; pelo contrário, historicamente os grandes países em geral utilizam o potencial de seu mercado interno para fortalecer sua estrutura industrial e ganhar competitividade para disputar mercados externos", diz o professor da Unicamp. Com uma concentração da renda que se amplia e se aprofunda, dificilmente essa seria uma solução palatável para o empresariado e se há um risco (ou um custo) Brasil a ser debelado esse seria o das nossas próprias classes dominantes. Leia aqui a íntegra da entrevista de Marco Antonio Rocha feita por Ricardo Machado.

Curiosas e contraditórias as recomendações da OCDE: * Brasil está isolado das oportunidades globais e da concorrência (Valor) * Crescimento do Brasil depende da continuidade das reformas (Valor) * OCDE recomenda corte de gastos e formalização da independência do Banco Central (Valor) * OCDE sugere mais recursos no Bolsa Família para reduzir desigualdade (El País). Participação da indústria no PIB recua a níveis de 1950 (247) * Em plena ofensiva protecionista de Trump, Banco Mundial sugere que Brasil abra mercado (El País) * A Guerra do Aço abala uma indústria com 200 mil empregos no Brasil (El País) * Banco Mundial: salário mínimo no Brasil é alto  e ajuda informalidade (Valor).
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