quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Lição do Carnaval

A estética criativa das Escolas de Samba mostrou o repúdio à selvageria das novas leis trabalhistas e à precarização das relações de emprego. Mas não foi só isso: da escravidão às malas cheias de dinheiro, tudo mereceu a rejeição popular. Temer, Aécio, Serra, FHC, Kataguiri e MBL, Huck, Doria, Padilha, Meirelles, Moreira Franco, Bolsonaro, Alckmin e outros se esconderam do povo como "o diabo foge da cruz". Não perdem por esperar: vem coisa pior por aí...
Dois albuns de fotos do El Páis: Os desfiles de Carnaval no Sambódromo do RioMalas de dinheiro, corrupção, violência: a Beija Flor expõe as mazelas do Brasil na Sapucai
Se nossa elite (empresários, tecnocratas neoliberais, dirigentes conservadores dos partidos políticos e donos da mídia tradicional) fosse mais inteligente e sensível para a realidade que a cerca, os próximos dias deveriam ser usados por ela para uma reflexão cuidadosa sobre o que aconteceu neste Carnaval. O que se viu nas ruas do país inteiro foi uma explosão de sentimentos de indignação com a verdadeira cloaca em que se transformou o Brasil desde o golpe de 2016, quando a presidente eleita Dilma Rousseff foi afastada do governo: na forma organizada das escolas de samba ou dos blocos, de maneira espontânea, em grupos ou individualmente, o que se assistiu foi a intermitência da rejeição e do repúdio. Arrisco a dizer que não houve um metro quadrado de folia em todo o território nacional que tenha ficado livre das vaias e xingamentos que toda a galeria de gângsters que estão nas diversas instâncias do poder ao lado de Michel Temer merecem.

Como contrapartida, uma exaltação do popular como categoria politica, social e cultural; em alguns momentos uma euforia pelo espaço existencial de liberdade que o Carnaval permite na representação da luta pelos direitos de toda a abrangência identitária. Bobagem imaginar que o que aconteceu com a Paraíso ou com a Beija Flor é obra fortuita que a transmissão da Tv procura esconder (como se fosse possível esconder um espetáculo dessa grandeza) ou que as vaias dirigidas a Doria no caos em que se transformou a Avenida 23 de maio em São Paulo é coisa de petistas. O fato concreto é que os golpistas e os que os apoiam ficaram escondidos durante 4 dias, um gesto típico de uma elite aterrorizada que se divorciou do povo e que só se equilibra no poder graças a uma sistemática manobra jurídico-parlamentar que todos sabemos não ter futuro.

Penso que a diluição do sentimento de oposição que o Carnaval trouxe para as ruas naturalmente fará essa turma de safados imaginar que o pior já passou. Será? Talvez não, porque se as regras do jogo forem mantidas, temos um outro Carnaval em outubro deste ano, quando se realizarão eleições gerais no país. Se o voto for usado como instrumento de execração como foram usadas as manifestações de todo o tipo deste fevereiro repleto de alegria popular, vamos assistir a uma limpeza geral dos espaços onde esses canalhas se instalaram...

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