sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

O ogro e a inteligência

Um sujeito que interpela um pesquisador
da Ciência Política sem ter qualquer qualificação para isso, apenas o poder discricionário que o levou ao Ministério da Educação... quem pensa que é?

Um ministro que envergonha o país...

Todos sabemos quem é o sujeito que ocupa o Ministério da Educação. De qualquer forma, vale a pena recordar: trata-se de Mendonça Filho, um criador de frangos que foi incluído no vergonhoso arranjo político que Temer promoveu logo depois de consumado o golpe que afastou Dilma Rousseff da Presidência da República. Nem mesmo o próprio indicado deve ter compreendido até hoje os motivos que o levaram à pasta tal foi a incongruência despertada tão logo tomou posse: Mendonça Filho é fã incondicional do testicocéfalo Alexandre Frota a quem abriu as portas do MEC sabe-se lá para que. Uma vergonha...

Pois bem, o "ministro" da Educação é um cara grosseiro e talvez seja o lado discreto do figurino padrão da gangue de Temer. Digo discreto porque sua marca é o mutismo, não porque seja discreto, mas porque não tem o que dizer... e não tem o que dizer porque é um néscio; não sabe de coisa alguma. Não é um guerrilheiro da corrupção com malas cheias de dinheiro, nem é um articulador astuto que negocia votos para as sucessivas maldades que o empresariado está impondo à Nação; é apenas discreto, sempre disponível para cumprir ordens. 

É essa personalidade que resolveu tentar impedir que o Prof. Luis Felipe Miguel, da UnB, ministre neste semestre uma disciplina intitulada O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil (leia aqui). O motivo declarado foi dito pelo próprio ministro, que mal sabe ler mas que entendeu que pode pontificar sobre o que é e o que não é de interesse da academia: "Está claro que não houve base científica na criação desse curso. Contraria as boas práticas da educação. Alguém não pode ter uma ideia ou uma opinião e simplesmente oferecer dentro de uma universidade um curso". 

Felipe Miguel, atingido em pleno voo pela prepotência do "ministro", reagiu com energia contida e educada: "[a disciplina] não merece o estardalhaço artificialmente criado sobre ela [que] tem valores claros, em favor a liberdade, da democracia e da justiça social (mas) isso não significa abrir mão do rigor científico ou aderir a qualquer tipo de dogmatismo" (leia mais).

Qual é a importância disso tudo? Do ponto de vista da ordem geral das coisas, nenhuma. A Era Temer vai acabar qualquer dia desses e eu espero que seja de forma vergonhosa para seus protagonistas e esse risível episódio certamente ficará registrado ao lado das histórias do Febeapá dos anos 60 colecionadas por Stanislaw Ponte Preta. Do ponto de vista do cotidiano, no entanto, a importância é grande como o registro do crime que tem sido silenciosamente cometido contra a inteligência no Brasil. 

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Um comentário:

Carlos Krebs disse...

Prezado José Faro, as observações sobre o embate do limitado ministro com poder contra a razão e a lógica do professor sem nenhum, são muito boas. Peço que retifiques o pseudônimo do grande cronista Sérgio Porto – Stanislaw Ponte Preta.