sábado, 31 de março de 2018

31 de março

Uma escrita que não termina: a tutela sobre o poder
civil como regra e não como exceção
31 de março de 1964. O Brasil colocado no cordão sanitário da modernidade. A herança deixada pelo golpe é essa que estamos vendo à nossa volta: pobreza, depressão econômica, escalada fascista na cultura e na política, colapso educacional e científico

A etapa conservadora (e autoritária) da Revolução Burguesa no Brasil: é assim que defino o golpe de 1964. Penso que o Populismo ampliou de tal forma a dinâmica da classe trabalhadora no cenário nacional que as demandas pelas reformas de base - destinadas, se tivessem sido feitas, a desestruturar os mecanismos de concentração da renda e do poder político - acabaram por levar ao impasse institucional que culminou com a derrubada de João Goulart. O golpe, portanto, foi uma reação "thermidoriana" (como a chamou Arnaldo Pedroso Horta) à ascensão dos movimentos populares e acabou por instituir um modelo de modernização capitalista pelo alto, isto é, concentrador da riqueza e profundamente antidemocrático e desigualitário, causa profunda de uma crise estrutural e de longa duração que estamos longe de superar.

O resultado me parece ser um capitalismo anêmico, de baixo nível de acumulação e de inovação, dependente e periférico, profundamente arredio a quaisquer possibilidades de ampliação do mercado interno e dos mecanismos de participação da sociedade nos aparelhos do governo e do Estado. Só mesmo um sistema de valores ideologicamente atrasado e uma prática autoritária sistematizada em todos os setores da vida nacional é capaz de manter o Brasil sob o controle das elites do capital internacional e nacional. É possível, talvez certamente, como eu acredito, que isso nos deixe na lanterna das nações modernas... Os vencedores dos golpes contra a Democracia desfechados até aqui têm nada a comemorar...

Leia também: * Percursos de um golpe: os fatos que deram início à ditadura de 1964 (Brasil de Fato)
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