sexta-feira, 30 de março de 2018

A perigosa complacência com a escalada fascista

Cantanhêde: Ataque é lamentável, mas comportamento de Lula não foi adequado...

Dubiedade e ambiguidade da articulista do Estadão revelam uma justificativa para o ataque a Lula que pode se traduzir e pode ser percebido como um apoio dissimulado à violência (leia aqui a íntegra do texto de Catanhêde). Editorial do jornal, por outro lado, parece indicar que se trata de uma postura exageradamente flexível no mesmo sentido: ao chamar ações armadas fascistas de "incidentes" (como fosse possível essa definição para um atentado à vida de um ex-presidente da República)  os velhos golpistas adocicam a gravidade da crise e podem enviar aos bandos da direita um discreto consentimento à polarização irracional das práticas políticas que estão avançando no Brasil. 

O gesto já clássico de Bolsonaro é repleto de
significados sobre os quais a mídia silencia

Imagens de Bolsonaro no Aeroporto de Curitiba articulam um discurso incendiário e homicida (no detalhe, em gesto que vai se tornando clássico na sua campanha, o militar aponta uma arma imaginária para a cabeça do boneco de Lula) em torno do qual a mídia revela um discreto, mas sistemático, assentimento, no lugar de uma vigorosa condenação. O nome disso é "cumplicidade simbólica" (leia aqui a matéria do site Pragmatismo Político).

Tudo indica que essa produção contraditória de sentidos em torno do fato criminoso - uma condenação que não condena enfaticamente - mostra, mais uma vez, o relativismo moral com que nossa elite apregoa o liberalismo e o respeito às leis do país: se for preciso, vamos à guerra civil, é o que suas narrativas parecem insinuar...

* Sobre a gravidade daquilo que o Estadão chama de "incidentes", vale a pena ler: * Mensagens revelam plano para atentado a tiros contra Lula (Pragmatismo Político) * Reações ao atentado contra caravana de Lula retratam a miséria da nossa Democracia (The Intercept).
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