segunda-feira, 30 de abril de 2018

Agamben: o estado de exceção como norma

Giorgio Agamben
Aquilo que a poesia realiza com o poder de dizer, a política e a filosofia devem realizar com o poder de agir

Se há um filósofo característico do presente é Giorgio Agamben. Nasceu em Roma em 1942, mas sua obra globalizada não pode desligar-se de suas atividades na França, Inglaterra e Alemanha, entre outros países em que trabalhou. É fácil detectar nela a influência de Martin Heidegger, Walter Benjamin e Michel Foucault, mas também as de Kafka e do situacionista Guy Debord. Agamben chegou à universidade para estudar Direito, mas se inclinou pela filosofia depois de assistir entre 1966 e 1968 a alguns seminários com Martin Heidegger. Foi o mesmo período, recorda, em que descobriu Benjamin: “Dois autores muito diferentes. Um era o contraveneno do outro”.

Sua obra, que nunca perde de vista a relação do homem com a linguagem, não se esgota na filosofia, mas se estende por todos os campos do saber: da literatura às artes plásticas, da filologia à antropologia, passando pela teologia e, claro, pela política. Entre as pessoas com quem estabelece estreita relação há filósofos: Gilles Deleuze, Jacques Derrida, Jean-François Lyotard, Pierre Klossowski; mas também cineastas como Pier Paolo Pasolini, ou escritores: Elsa Morante, Ingeborg Bachmann, Italo Calvino. Ensina Filosofia em Veneza e dirigiu a edição italiana das obras de Benjamin. A editora Boitempo acaba de lançar no Brasil sua obra O Fogo e o Relato, com o subtítulo Ensaios sobre Criação, Escrita, Arte e Livros (continue a leitura da matéria do El País)
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