quarta-feira, 2 de maio de 2018

A vida desmoronou como um castelo de cartas

Não bastasse o sofrimento agudo da pobreza,
vem por cima da gente a maldade social, a arrogância
fascista, a solidariedade mentirosa e hipócrita
Tom C. AvendañoEl País (010518), reproduzida aqui via IHU

Leandro Renitz Oliveira, um homem loiro de 29 anos, de olhos avermelhados sentado no chão de uma rua do Centro de São Paulo, tem um pequeno ritual para quem lhe dirige a palavra na manhã desta terça-feira. Ele para de soluçar e tira uma carteira preta do bolso da calça jeans; vasculha nela e tira um cartão amassado com uma série de carimbos. Eles indicam cada pagamento que fez para viver no arranha-céu onde ficou com a mulher desde – de acordo com o primeiro carimbo – 16 de dezembro de 2016. Esse prédio é agora uma pilha de escombros flamejantes e uma coluna de fumaça cercada de moradores tão confusos quanto ele. Tudo isso está fisicamente na frente de Leandro, mas ele não desvia o olhar do cartãozinho. “Está vendo? Está tudo em ordem”, diz, mostrando para quem quiser ouvi-lo, com alguma esperança. “Agora o senhor é daqueles que vêm ajudar?” (leia a matéria inteira)

A tragédia depois da tragédia do incêndio do Largo do Paissandu 
Isabela Oliveira Pereira da Silva, Boitempo

Quando cheguei ao Largo do Paissandu no início da tarde do primeiro de maio, os jornais falavam em uma morte confirmada no incêndio e desabamento do Edifício Wilton Paes de Almeida. Ao conversar com os moradores da ocupação, as contagens não oficiais eram de 50 pessoas desaparecidas, entre elas, crianças. A primeira coisa que vi foram as grades de metal separando o perímetro do restante da região. A fronteira delimitava claramente quem estava dentro para receber cuidados e quem estava fora. Dentro do cercado estavam ambulâncias e outros carros que serviam de depósito para as doações de roupas e comidas. Do lado de fora, passantes se apertavam para fotografar os escombros do prédio ou para entregar mais sacolas de doações por cima da grade de metal (continue a leitura).
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* Por que o prédio não foi interditado pela Prefeitura? Quem assinou o laudo que garantia condições de segurança do edifício? O gabinete do prefeito estava interessado na desocupação do edifício? Por que? Quem neglicenciou a gravidade da situação: o Ministério Público ou a Prefeitura? Havia em torno do problema da desocupação do prédio algum interesse imobiliário?


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