terça-feira, 1 de maio de 2018

Anomalia neoliberal: R$ 9,1 bilhões para 3 famílias

O adjetivo que se quiser aplicar à exuberância
 financeira do sistema bancário brasileiro não conseguirá
 descrever anomalia  que ele representa para o país
A pior recessão da história do Brasil teve um lado bom para três das famílias mais ricas do país e os demais acionistas do amor banco da América Latina.

Integrantes dos clãs setubalense, Villela e Moreira Salles - controladoras do ItaúUnibanco Holding - receberam R$ 9,1 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) nos últimos 5 anos, período que incluiu dos anos seguidos de contração da economia.

Um terço do valor foi pago somente em 2017.

A matéria (leia o texto integral aqui) foi publicada pela revista Exame na edição de 30 de abril e tem múltiplos significados. O pior deles é o que produz o núcleo semântico do simulacro em que o Brasil se transformou: a fartura dos dividendos que o Itaú distribui entre as 3 famílias que são suas proprietárias pode dar a entender para o idiotismo neoliberal que o país vai bem. Mas esse sentido é também o mais perverso e o mais enganoso pois a exuberância dos lucros do Itaú só é possível justamente porque o país vai mal: somos 52 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza, 14 milhões de desempregados, redução brutal dos investimentos públicos nas área sociais, desnacionalização profunda da economia, desindustrialização, queda no nível da renda, retração do mercado interno. O Itaú só lucra o que lucrou porque é sobre esse conjunto de mazelas que ele reina soberano. O Itaú só é o que é porque o Brasil é o que é.

Não deixe de ler: * Lucro recorde do Itaú durante a crise é anomalia do capitalismo brasileiro (IHU) * É hora do MTST ocupar a política (Boulos, El País) * País vive tragédia grega do século XXI (Nicolelis, Tutameia) * Brasil chega a 14,8 ,milhões de pessoas em extrema pobreza (Mídia Livre) * Desemprego chega a 13,1% da população e agrava incertezas (El País) * Desemprego chega a 13,7%, diz IBGE (Valor Econômico) * Investimento público cai para 1,17% do PIB e atinge o menor nível em 50 anos (IstoÉ) * 52 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza (do blog) * Golpistas vendem a dignidade nacional (do blog) *  A crise e a busca de um projeto alternativo (Paulo Kliass, Outras Palavras) * Nós sabemos fazer um país (Mauro Iasi, Boitempo).
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