segunda-feira, 14 de maio de 2018

Sérgio Buarque, Jessé de Souza, 13 de maio

Uma burguesia especializada na negação do
social, essa é a raiz da cordialidade

Há uma polêmica acesa entre os intérpretes do Brasil que está repercutindo nos reduzidos espaços públicos do debate acadêmico. De um lado, Sérgio Buarque de Holanda com sua tese - mais comentada do que lida - em torno do homem cordial brasileiro; de outro lado, Jessé de Souza, que remete o conceito de Buarque e sua celebração à miséria da nossa filosofia.

Pessoalmente, acho que Jessé de Souza entendeu o conceito cordial de uma perspectiva mais jornalística que antropológica e reduziu a complexidade da interpretação weberiana de Buarque a um conjunto de rótulos que fazem bem à mídia - dado o despreparo com que os editores dos cadernos de cultura pontuam sua presença na cena brasileira.

O cordial não é o mesmo que bondoso; nem o mesmo que apaziguador. O cordial é o conciliador com o ordenanento do Estado; é a recusa em romper com o Estado burocrático através do relativismo liberal. O cordial é o simulacro. Como estamos vivendo no limite desse paradoxo de uma burguesia estamental que se recusa a ter um projeto que lhe cobre alguma coerência ideológica - ou política -, o debate provocado pela iconoclastia de Jessé me parece qualquer coisa menos bizantino. Na verdade, para entender a conjuntura brasileira, essa discussão é essencial.


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