quinta-feira, 28 de junho de 2018

A ameaça do agronegócio

Agronegócio: reduto de indiferença criminosa em
relação aos interesses nacionais

Fantasia usada no desfile da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense (Rio de Janeiro, 2017): latifundiário tropical, misto de desbravador e criminoso. Alegorias da agremiação denunciaram as práticas do agronegócio contra os índios, um dos muitos abusos que ruralistas cometem no Brasil

Num país falido, como é o nosso caso, denunciar um setor da economia que só proclama virtudes é uma heresia. Quem é que consegue se fazer ouvir quando a crítica é dirigida ao agronegócio? Na verdade, são a truculência parlamentar, o acobertamento jurídico e o silêncio da mídia o três principais motivos pelos quais a sociedade brasileira acaba acreditaando na lenda de que a lavoura é a nossa salvação. Não é verdade: esse é o mito do Brasil agrário. A lavoura, ainda mais nos moldes coloniais de um setor agro-exportador, é o que nos prende há mais de cinco séculos na periferia do desenvolvimento e certamente é ela a causa estrutural de nossa pobreza. 

Digo isso menos com o olhar posto no passado do que sobre os efeitos do agronegócio no presente: constituímos no interior da nossa sociedade um estamento que reproduz em suas práticas sociais e políticas o secular sistemas de dominação oligárquica, ainda que com roupagens modernas. É nele que se origina a marginalidade social, o trabalho em condições similares à escravidão, a concentração excludente da terra, a perpetuação de um patriciado refratário à democracia e, mais grave ainda, um setor que empobrece o Estado e atua à revelia as normas elementares da preservação ambiental (continue a leitura).
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