terça-feira, 19 de junho de 2018

À beira do precipício

Esse ar estúpido do molusco deve ser muito
parecido com o dos golpistas quando constatam
o desastre a que levaram o Brasil
A injeção letal de que o Brasil precisava para que toda a estupidez da política econômica implementada depois da destituição da presidente eleita Dilma Rousseff ficasse demonstrada está na matéria do Estadão de hoje sobre o virtual colapso da economia brasileira: com a perspectiva de queda do PIB e com as incertezas geradas pela proximidade das eleições, o setor industrial cortou os aportes de capital previstos para este ano, provocando uma retração de R$ 503 milhões em investimentos (0,4% menos que em 2017). 

O efeito disso é dramático: o país entra em depressão profunda com a consequente queda no nível de emprego, aumento do número de falências, dificuldades de crédito e de captação de investimentos até mesmo no exterior, ainda que o "governo" esteja disposto a abdicar de qualquer veleidade do que lhe resta de soberania em troca de dólares. 

A crise internacional tem pouco a ver com isso, ao contrário do que possam alegar os neoliberais de plantão. O fator preponderante no agravamento da situação do Brasil é o brutal estrangulamento dos fatores internos que poderiam dar sustentação à retomada da economia após o abalo de 2015-2016. O golpe, com sua política recessiva, limitação de gastos públicos e estímulo à especulação financeira é o verdadeiro responsável pelo crime que está sendo cometido contra o país.

Tudo indica, no entanto, que é remota a possibilidade de que isso mude, a julgar pela preponderância do discurso econômico conservador exibido pelos candidatos à direita do espectro político-partidário: o receituário neoliberal de redução do papel do Estado nos investimentos públicos, a obsessão irracional pelo fim do déficit fiscal, o aprofundamento generalizado da desregulamentação e do barateamento do custo do trabalho, tudo isso compõe exatamente a repetição do caminho que nos trouxe até aqui. A menos que uma candidatura de extração social-democrata consiga sair vitoriosa das urnas e de que, dessa forma, seja possível a implementação de um programa neo-rooseveltiano, minha percepção é a de que vamos caminhar para uma convulsão social.

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