terça-feira, 12 de junho de 2018

Marcas do golpe

Efeitos psico-sociais do golpe já são sentidos
nas práticas culturais dos brasileiros


O governo brasileiro - se é que merece ser chamado assim esse arranjo de maus elementos que usurpou o poder em 2016 - acaba de ser condenado na Organização Internacional do Trabalho pelos retrocessos promovidos na CLT, em especial as restrições impostas à negociação coletiva e ao movimento sindical. O ministro do Trabalho estava em Genebra, sede da OIT, onde ouviu vexado as críticas que a "reforma" recebeu, tentou desqualificá-las, mas não adiantou: o Brasil, mais uma vez desde o golpe, sofre uma reprimenda pela maneira estúpida como viola os direitos sociais (leia aqui).

Na semana passada as atenções no mundo todo estiveram voltadas para o Rio de Janeiro onde ocorreu a 4a rodada de licitação do pré-sal. Foram vencedoras as empresas Shell, ExxonMobil, Chevron, BP Energy, Petrogal e Statoil. O resultado não surpreendeu ninguém; o que surpreendeu foi a desfaçatez com que o governo golpista liquida o "patrimônio nacional a preço de banana" e como a Petrobras - símbolo da nossa soberania - está sendo sucateada e disposta para o capital internacional (leia a matéria do 247).

São dois episódios aparentemente distintos, mas que guardam entre si um significado relevante: a degradação da autoestima nacional que transparece em diversas manifestações, algumas delas silenciosas mas de impacto igualmente forte na sociedade. Talvez fosse mesmo esperado que isso acontecesse: afinal um país no qual o sujeito que ocupa a presidência da República é um cara rejeitado de forma absoluta por quase 90% dos cidadãos não tem mesmo muito motivo para qualquer gesto de altivez. É possível que este seja o pior momento da nossa história, alguma coisa como um país que se rendeu incondicionalmente depois de perder uma guerra (continue a leitura).
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