quinta-feira, 28 de junho de 2018

Minima Moralia: Richard Sennett

Para Trump, o Estado é como um chicote para castigar diferentes grupos sociais

Entrevista com Richard Sennett feita por Daniel Gigena para o jornal argentino La Nación  (transcrito do Portal Instituto Humanitas Unisinos)

Um dos pensadores mais lúcidos da atualidade está em visita à Argentina até amanhã. Convidado pela Fundação Medifé, nesta tarde, às 18h, Richard Sennett (Chicago, 1943) dará uma conferência no auditório da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Buenos Aires, onde receberá o título de Doutor Honoris Causa, o segundo que recebe nesta viagem. O primeiro foi outorgado anteontem pela Universidade Nacional de Córdoba. Na capital cordobesa, Sennett participou do Terceiro Congresso de Moradia e Cidade. Mais de 1.500 pessoas se inscreveram para escutar em Buenos Aires o autor de Juntos. Os Rituais, os Prazeres e a Política da Cooperação A corrosão do caráter: consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Nesta ocasião, além disso, o pensador das urbes foi nomeado cidadão ilustre da cidade de Buenos Aires.

Graduado na Universidade de Chicago e doutorado em HarvardSennett dá aula de sociologia na London School of Economics e na New York University. Costuma visitar a Argentina com frequência. Sua esposa, a prestigiosa filósofa e socióloga Saskia Sassen, que viveu no país até 1950, viajou com ele à cidade de Córdoba para dar uma conferência. “Com ela falamos mais de comida que de nossos projetos”, disse Sennett, brincando. O autor de ensaios fundamentais para a compreensão da vida urbana sob o império do capitalismo foi aluno de Hannah Arendt e amigo de Michel Foucault. No entanto, antes de se dedicar à vida acadêmica, consagrou-se como violoncelista. “A música me conferiu disciplina”, afirma.

A partir de Carne e Pedra. O Corpo e a Cidade na Civilização Ocidental (seu fabuloso conjunto de ensaios sobre modos de habitar as cidades do Ocidente ao longo dos séculos, publicado em 1994), interessou-se pelas formas civilizatórias e seus inimigos. 

Atualmente, o capitalismo financeiro é objeto de suas críticas, mas também a inércia das esquerdas, ocupadas em diagnosticar o que obviamente é evidente, e o individualismo exacerbado pelas empresas tecnológicas. Todos os ensaios de Sennett estão traduzidos ao espanhol, mas não assim seus três romances, dos quais ele resgata só o primeiro, de 1982. Agradável e erudita, sua obra aborda de maneira provocativa e incisiva o presente do trabalho, a família e as classes sociais no mundo contemporâneo (continue a leitura).
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