terça-feira, 12 de junho de 2018

Opiniões fortes em torno da ameaça que paira sobre o Brasil

Passagem de Doria pela prefeitura não o credencia como político ou como gestor

Ex-prefeito surge como um fantasma à espera da oportunidade de ser o candidato do centro

Artigo de Nabil Bonduki, publicado na Folha de S. Paulo (12/6/18)


Com a dificuldade de Alckmin se tornar um candidato competitivo, João Doria ressurge oculto, como um fantasma à espera da oportunidade de ser o candidato do “centro”. 
O ex-prefeito negou a intenção de tomar o lugar do seu padrinho na sabatina da Folha/UOL/SBT. Os paulistanos, que o conhecem bem, sabem o valor da sua palavra.
Enquanto dizia apoiar Alckmin, correu o país, em 47 eventos de pré-campanha, para ser mais conhecido e garimpar aliados. Para obter simpatias, bajulou partidos e até Temer. Tentou ser o anti-Lula.
Em seguida, com o odor de traição, propôs que o PSDB escolhesse o mais bem situado nas pesquisas e que atraísse mais aliados. Recuou quando estacionou nas pesquisas e sua aprovação na prefeitura despencou.
Repetiu centenas de vezes e até assinou um compromisso de que seria prefeito por quatro anosRenunciou ao cargo com 15 meses de gestão.

Não sabe lidar com os conflitos, comuns na administração pública, que requerem capacidade de negociação. Agrediu cidadãos, jornalistas e políticos que o questionaram.
Reconheceu não saber lidar com as normas administrativas, chamada de “burocracia”. São mesmo complexas, mas um gestor precisa conhecê-las, utilizá-las e, se inadequadas, alterá-las.
O contrato com a empresa que venceu a licitação para a PPP da Iluminação pública foi suspenso pela Justiça, sob suspeita de corrupção. As áreas escuras da cidade se multiplicam.
A licitação do sistema de ônibus foi suspensa pelo TCM, após o conselheiro Edson Simões ter identificado 51 irregulares. O sistema funciona com contratos de emergência.

O mais grave é a limpeza pública. O “gestor” não realizou licitação para um novo contrato para limpeza e varrição das ruas, que está em regime de emergência (R$ 1,2 bilhão por ano).
A Justiça exige que a prefeitura faça uma “seleção pública e isonômica” e impediu a continuidade dos atuais contratos de emergência após esta quarta-feira (13). A cidade que já está suja, poderá ficar imunda.
Tendo deixado tantos abacaxis para seu sucessor, o político, que tenta novamente se fantasiar de gestor, lidera as pesquisas para o governo, enquanto seus olhos piscam para Brasília.

Nabil Bonduki
Arquiteto e urbanista, foi vereador e relator do Plano Diretor Estratégico em São Paulo.
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