sexta-feira, 6 de julho de 2018

O Brasil a R$ 1,99

A venda da Embraer torna o Brasil uma nação indigna e irrelevante no cenário internacional. Na verdade, somos hoje um protetorado, quase uma pastagem dos interesses privados nacionais e internacionais, tal como os golpistas imaginaram fazer no seu protejo de poder


Tudo muito rápido, objetivo, prático, eficiente, como recomendam os manuais da funcionalidade do mercado. Em menos de 24 horas, governo, deputados, acionistas, técnicos, especialistas no mercado de ações, militares e gênios da tecnologia da aviação, especuladores, empresários, parlamentares e até mesmo alguns jornalistas que nem sabem explicar muito a natureza e a importância do assunto, todo esse complexo sacramentou a venda da Embraer para a Boeing (uma operação apelidada de joint venture pelo eufemismo neoliberal). Só não foram consultados os especialistas em soberania nacional, muito menos a sociedade brasileira que é, no final das contas, a instância deliberativa que deveria autorizar  ou não uma transferência dessa natureza através de um referendo popular.

O resultado é o que a imprensa - olimpicamente indiferente ao assunto, nem um único editorial ponderando sobre os efeitos dessa etapa da liquidação da dignidade nacional - está noticiando: a Boeing passa a deter 80% das ações da empresa resultante da joint venture e se torna "líder de mercado para jatos menores de passageiros", o que lhe dá condições de competir com a Bombardier e com a Airbus. Para alguém minimamente desconfiado das negociatas (Pré-sal e Eletrobras) que têm sido feitas em nome do Brasil pela escória golpista, está claro: No caso da Embraer, nosso país transferiu para uma empresa dos EUA aquilo que sozinha ela (a Boeing) não tinha condições de fazer e abriu mão da sua própria competência brasileira para participar do mercado mundial de aeronaves. No meio desse pacote, também a excelência da pesquisa em tecnologia nacional que foi desenvolvida em São José dos Campo será transferida.

Sob qualquer ângulo que seja observado, o negócio Boeing/Embraer é criminoso, ainda que alguns paspalhos tenham vindo a público salvar as aparências: os 20% do capital que permanecem em mãos da empresa brasileira são suficientes para garantir a autonomia nacional no novo empreendimento: "consideramos muito a soberania", disse um tal de Brigadeiro Nivaldo Rossato na audiência pública realizada na Câmara dos Deputados para discutir o assunto. Nem foi preciso "considerar muito"... o negócio já estava sendo concluído mesmo antes de qualquer deliberação dos parlamentares. 

Somos os bobos do planeta e as chacotas que inspiramos em todos os centros do poder mundial provam isso: o Brasil está em liquidação.

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