quinta-feira, 2 de agosto de 2018

BNCC: a violência do golpe contra a Educação

2 de agosto: todos pela revogação da reforma
do Ensino Médio, um crime contra o futuro

pela revogação da reforma do ensino médio


Texto e ilustração:

Nesta quinta-feira, 2 de agosto, o ministério da Educação estará patrocinando um evento publicitário nomeado como “Dia D” da Educação: será uma ação de marketing travestida de convocatória aos professores, por parte do MEC e de uma entidade oficiosa e praticamente desconhecida - o Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED) - para, supostamente, debater as diretrizes da nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no Ensino Médio.

Mas não haverá debate. A ‘consulta aos professores’ é apenas de fachada, já que o calendário de audiências públicas inicialmente marcado para debater presencialmente a BNCC foi desprezado e a proposta inicial da reforma (de permitir múltiplos itinerários disciplinares opcionais aos estudantes) foi reduzida à obrigatoriedade de apenas duas disciplinas, Português e Matemática.

A Federação dos Professores de São Paulo denunciou a proposta de reforma do ensino médio como ‘autoritária’ já no seu anúncio, pela Medida Provisória 746, de outubro de 2016. O autoritarismo foi reafirmado com o desprezo às discussões em audiências públicas – que provocou até mesmo a renúncia do coordenador da BNCC, professor Cesar Callegari – e confirmado agora com essa quermesse de propostas genéricas que se pretende com a marketagem do ‘dia D’ de 2 de agosto.
O que acontecerá no ‘Dia D’

Nesta quinta, dia 2, as escolas públicas estão sendo orientadas a dispensar as aulas e reunir professores e coagi-los a preencher um formulário de avaliação da BNCC por áreas de conhecimento. A reunião é convocada pela diretoria, sob o mando das secretarias de Educação de cada Estado. As ‘ideias’ recolhidas nos formulários serão consolidadas pelas secretarias de Educação estaduais e encaminhadas ao Conselho Nacional de Educação.  Os professores em escolas privadas não foram chamados a participar.

Essa não é uma discussão séria. É apenas jogo político visando dar um verniz de legitimidade a um processo ilegítimo, e afastar da sociedade a discussão ampla, aberta e franca sobre o destino do ensino aos nossos jovens. O resultado será, novamente, uma reforma autoritária que tende a arrastar nossos estudantes a uma educação entediante, de baixa qualidade e que, ao invés de desenvolver seu espírito de cidadania, irá entregar ao mercado de trabalho jovens com habilidades mínimas e perspectivas medíocres.


Pela revogação da ‘reforma’:  
Na forma em que se encontra a única proposta endossada pela Federação e seus sindicatos integrantes sobre a reforma do Ensino Médio é a sua revogação, pura e simples.

Às professoras e professores na rede privada de ensino em São Paulo, recomendamos conversar com seus colegas, explicar que além de comprometer a educação de qualidade esta reforma pode colocar empregos em risco, e exigir que o texto da reforma seja devolvido ao CNE para discussão ampla e reformulação completa antes de sua implantação.


Leia mais: * O assédio neoliberal à educação básica (Extra Classe) * Entenda a BNCC (Sala dos Professores da Fapesp com Callegari) * O que Paulo Freire e Anísio Teixeira diriam sobre Base Curricular? (Daniel Cara, Uol
* SBPC também condena reforma do ensino médio (Fepesp) * A reforma do ensino médio vai deixar uma escola pobre para pobres (Esmael) *  Callegari deixa presidência da Comissão da BNCC e denuncia proposta do governo (do blog). Secretários da Educação montam farsa para tentar legitimar BNCC (do blog) * Eduardo Deschamps é o novo presidente da Comissão da BNCC (Nova EscolaMudanças incorporadas na Base Nacional Comum Curricular são questionadas (Luciana Alvarez, EducaçãoEntretanto (José Pacheco, EducaçãoBack to basics (José Pacheco, EducaçãoA base do ensino (Editorial Folha).
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