segunda-feira, 16 de julho de 2018

Vestígios

Uma vida assegurada pela partilha da pobreza...
O insuspeito Estadão - provavelmente o jornal que mais apostou fichas do relativismo liberal conservador em apoio  ao golpe contra a presidente eleita Dilma Rousseff -, nem ele é capaz de contornar a dramática situação social em que o país vive.

São apenas duas matérias, diluídas nos comentários invariavelmente persecutórios contra Lula e no noticiário sobre a Copa do Mundo. Uma delas mostra o desastre em que se transformou a política econômica da dupla Temer/Meirelles: entre outras anomalia sistematicamente denunciadas aqui, umentou em 12% o número de lares cuja sobrevivência depende dos benefícios de aposentados. Segundo o jornal, são hoje 10,8 milhões o número de brasileiros que têm na renda dos idosos sua única fonte de sustento (leia aqui). Não é preciso qualquer especialização em economia para entender o sentido mais profundo desse fato: o agravamento da desigualdade na distribuição da renda precariza de tal forma as condições de vida que a existência social é condominizada na partiha da carência e da escassez. Parece brincadeira, mas não é: amplia-se no país da elite mais conspícua do planeta uma forma de existência marginal que não conhecíamos da maneira como se apresenta hoje. Leia também sobre o mesmo tema: * Projeções indicam fim do bônus demográfico (Valor).


... e ameaçada pelo cenário da guerra civil

A outra matéria é o reverso mais trágico dessa desesperança geral em que se transformou o cotidiano de brasileiras e brasileiros. Segundo o Estadão, nos últimos 5 meses, o Rio teve mais de 4 mil tiroteios, um número 37% maior do que no período anterior à intervenção federal na cidade (leia aqui).  É o morticínio patrocinado pelo governo de maior envergadura de que se tem notícia numa situação de paz, fato que encobre uma guerra civil não dcclarada.

Vamos nos aproximando das eleições em torno da qual a única representação politica capaz de expressar o sentimento de desesperança que esse quadro traduz encontra-se na cadeia graças à conivência indisfarçada do Poder Judiciário e sob a mais sórdida campanha de segregação ideológica que o Brasil já viveu. Será que esses caras acreditam mesmo que isso vai dar certo de alguma forma?
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