sexta-feira, 17 de agosto de 2018

O preço que for preciso pagar

Desencanto que os ultraconservadores usam como
em instrumento fascista de poder: para isso, golpistas de
2016 não descartam apoiar qualquer aventureiro 
Desesperança e dispersão na prática da democracia. Essas me parecem ser as piores consequências do estado de desordem que o golpe do impeachment criou no país, situação agora plenamente percebida no colapso que, olhando de perto, atinge todas as instituições - a principal delas: a instituição da representação política.

Pode parece pouco ou mero exercício acadêmico, mas penso que não. Nossas elites empresariais (com raras exceções), os integrantes do Poder Judiciário, a mídia tradicional e as próprias estruturas de controle político efetivo que se espalham pelo campo ideológico conservador - um complexo de dominação que articulou o golpe de 2016 - resolveram transformar o exercício da deliberação em coisa sua, privada, refratária a qualquer tipo de concessão que pudesse arranhar a espoliação capitalista que agora estamos assistindo em toda a sua falência. Trocando em miúdos: esse projeto tem uma natureza predatória de tal forma intensa que o país parece ter se tornado um fardo para todos... 

Na ponta desse processo está a situação que a jornalista Maria Cristina Fernandes, do jornal Valor Econômico, narra neste podcast da CNN:


A conclusão é grave: o eleitor é um rebelde que transforma seu desencanto em raiva e revolta, elementos que me parecem ser a matéria prima com a qual o ultraconservadorismo brasileiro - com maior ou menor poder de disfarce - todo o arco de forças políticas situadas à direita do espectro social-democrata. Não dá para confiar em nenhum desses grupos pois todos eles estão dispostos a relativizar de tal maneira seu compromisso com a democracia que nenhum hesitaria em abrir mão dos princípios liberais que dizem professar. Em outras palavras: essa turma está disposta a pagar o que for preciso para manter o controle do país em suas mãos.

Defender, portanto, a liberdade de Lula e eleger uma forte composição de centro-esquerda me parece ser a única esperança de reversão desse quadro que estamos assistindo.

Acesse aqui a entrevista com Esther Solano feita
para a Giz por Elisa Marconi e Francisco Bicudo

Leituras sugeridas

* Os insatisfeitos e a democracia (Maria Hermínia Tavares, Folha) * O eleitor que vai votar, mas preferia romper (Maria Cristina Fernandes, Valor) * Do lulismo ao bolsonarismo (Rosana Pinheiro Machado, IHU) * Nunca o brasileiro confiou tão pouco na presidência. Bolsonaro surfa nessa onda (The Intercept) * Poderes eleitorais (Janio de Freitas (Folha)   * Número de pessoas que desistiram de procurar emprego bate recorde (Folha) * Desemprego recorde desafia candidatos (Estadão) * Se pudessem, 62% dos jovens brasileiros iriam embora do país (Folha) * Qual o preço que o Brasil paga por sua desindustrialização? (Carta Capital).

Fotos: Wallace Martins/Futura Press/Folhapress (via The Intercept) e IEA/USP
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