segunda-feira, 27 de agosto de 2018

O fator Amoêdo

Antes que seja tarde e antes que o povo cometa a ousadia
 de resgatar o país para si, golpistas cercam a presa
e procuram garantir a continuidade da rapina 
Como num passe de mágica, em menos de 48 horas, explode o nome desse tal de João Dionísio Amoêdo na preferência da mídia. Tudo indica que o colapso virtual da candidatura de Alckmin e a possibilidade de que Bolsonaro se transforme em alguma coisa mais concreta do que um discurso fascista, levaram a facção golpista a encontrar um novo ungido... e ela estaria disposta ao diabo para fazer valer sua determinação.

O que a sociedade observa assustada, no entanto, é que tudo isso - acertos, ajustes, coalizões, conspiratas de todo o tipo - se faça à sua revelia pois que Lula continua à frente de todas as sondagens [em algumas delas já aparecendo como vitorioso já no 1o. turno]. Parece ser esse, portanto, o motivo do corre-corre para encontrar alguém que ocupe esse enorme vácuo político e de projeto que pode colocar o país nas mãos do povo outra vez. Antes os ratos em suas próprias mãos, como representa a bela ilustração do site do Instituto Humanitas Unisinos.

A solução pelo alto, contudo, aprofunda o desastre não só pelo titular da aposta como pela ideologia que carrega consigo. De saída: Amoêdo é um representante da natureza parasitária de uma parte da elite brasileira envolvida com a especulação financeira, sempre escorchando os setores produtivos através da ciranda de títulos e do cassino em que o Brasil se transformou nas mãos dos bancos - entre os maiores do mundo no contraste com a realidade social do nosso país - quase 50% de sua população à beira da miséria absoluta. O Partido Novo, facção através da qual, esse sujeito pretende chegar à presidência da República, nesse sentido, é velho, muito velho.

Quem melhor "biografou" o homem de R$ 425 milhões foi o advogado Gustavo Freire Barbosa em artigo escrito para o site Justificando - O liberalismo escravocrata de João Amoêdo - e que deve ser lido e relido para que se saiba muito bem o que nossa banca nos promete.

Amoêdo, portanto, é uma síntese, uma espécie de mescla do atraso com o moderno, mas esse moderno que preserva o atraso. Um experimento de ponta do neoliberalismo que vê nas eleições a chave de ouro para acabar com o mau-jeito golpista de gerir o país, embora o Banco Itaú tenha deixado sua marca diretamente no Banco Central durante todo o período Temer.

A ameaça, dessa forma, é a do ultraconservadorismo que dispensa a boçalidade de um Bolsonaro ou a despersonalidade de Alckmin. É o perigo do neoliberalismo extremo de que fala a bela matéria do IHU (leia aqui) e anunciado na ansiedade como o "mercado" registrou até agora a mansidão com que a direita se apresenta aos eleitores.

Um prato cheio para o pessoal da Semiótica:
* a construção da candidatura ultraliberal e a desconstrução  da candidatura popular: Amoêdo (4% nas pesquisas) x Lula/Haddad (41% nas pesquisas)  no "jornalismo" do Estadão * Se ampliar um pouco dá para ver melhor os títulos hierarquizados com os atributos  positivos e negativos das escolhas políticas e ideológicas do conservadorismo do jornal.
























Obs: Quero voltar a escrever sobre aquela que considero a maior ameaça para o Brasil na hipótese de que Amoêdo seja eleito.

Recomendo estas leituras: * Para Amoêdo, do Novo, a desigualdade no Brasil não é um problema. Ele está errado (The Intercept) * A candidatura emblemática do rentismo e a hipocrisia neoliberal, por Almeida (GGN) *João Amoêdo ganha mais de R$ 1 milhão por mês só na renda fixa - se investe da melhor maneira (InfoMoney) * Itaú cria seu partido e quer disputar a presidência (Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região) * Candidato do Novo incita crime “contra a esquerda” em propaganda eleitoral (The Intercept) * Eleições 2018: João Amoêdo: “Se empresas pagam salários distintos para homens e mulheres, Estado não deve interferir” (El País) *A riqueza como regra de campanha (Piauí) * O partido Novo que já nasceu velho (The Intercept).

Ilustração da postagem: IHU
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Um comentário:

Claudio de Oliveira disse...

Li o texto do Gustavo Freire... muito bom por sinal. Ontem, na PUC, Milto Hatoum lembrou de Bras Cubas de Machado de Assis. Cubas se dizia um liberal moderno, porem era um conservador, canalha e escravocrata, porem erudito, neste quesito se particularza em relaço a farsa Amoedo. Achei a analogia perfeita, percebi que vale uma releitura de Memrias Postomas.