sábado, 4 de agosto de 2018

O país inteiro pela revogação da reforma do ensino médio

SinproSp

Uma reforma que só traz retrocessos

Por Elisa Marconi e Francisco Bicudo

Em abril deste ano, o Conselho Nacional de Educação (CNE) recebeu a última versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O Ministério da Educação cumpriu, assim, a segunda etapa do jogo de trilha que compõe a chamada reforma da educação, que pretende unificar o ensino em todas as escolas do país. No documento, estão as diretrizes de tudo que deve ser trabalhado no ensino médio – e elas se somam ao conteúdo da primeira fase da reforma, que pontuou as referências sobre os ensinos infantil e fundamental. A ideia do governo é aprovar a BNCC e implantar seu funcionamento até 2020.
A grande razão alegada pelo governo federal para fazer uma reforma educacional no país é garantir a equivalência de ensino para todos e melhorar os níveis de aprendizado. No caso do ocimaensino médio, a preocupação seria com a evasão e o desinteresse na educação continuada. A causa desses fenômenos, no entendimento do MEC, é que nosso sistema atual tem disciplinas demais e é muito engessado, de forma que o estudante não se envolve com os conteúdos, não se sente estimulado por eles. Assim, a solução oficial encontrada foi oferecer o ensino de linguagens e matemática obrigatório nos três anos de ensino médio e concentrar as outras disciplinas em áreas do saber, oferecendo-as como optativas. O jovem iria escolhendo o que mais lhe aprouvesse.
Aliás, a propaganda governamental exibida na TV, no rádio e nas redes sociais martela exatamente nessa tecla do ‘direito de escolha’ como a principal qualidade do novo ensino médio. No entanto, essa justificativa não convence boa parte dos educadores e dos pesquisadores da área. O professor da faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Ocimar Munhoz Alavarse, engrossa o coro dos preocupados e descontentes com a reforma. Pedagogo pela Universidade Federal de São Carlos/SP, mestre e doutor em educação pela USP, ele condena a atual proposta por variadas razões. “A começar, porque não existe um diagnóstico da situação do ensino médio no país. Sem isso é impossível – e irresponsável – alguém dizer que conhece o cenário e propor soluções para esse cenário”, destaca.
Em entrevista exclusiva concedida à reportagem da Revista Giz, o professor e coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Avaliação Educacional (Gepave) levantou outros aspectos da reforma – que ele prefere chamar de contrarreforma, pelos efeitos perversos que provoca – que merecem olhar atento e oposição crítica, como a falta de discussão com a sociedade, com professores e com alunos; a diminuição apressada da oferta de disciplinas; e as lacunas relacionadas às optativas oferecidas no lugar das obrigatórias, entre outros. “Os jovens estão chegando mais velhos ao ensino médio e não veem ali o caminho para melhorar de vida. Mas o gargalo disso não está nessa etapa, está no final do ensino fundamental. Falhamos ali. Também não agregaram a universidade nessa contrarreforma”, provoca (leia aqui a íntegra da entrevista).

Leia ainda: * BNCC: a violência do golpe contra a Educação (do blog)
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