quarta-feira, 29 de agosto de 2018

O que está em discussão?

Proteção ao capital e agravamento
 da  pobreza e da concentração da renda
 podem levar o Brasil a uma explosão social
A dispersão aparente de propostas que estão sendo discutidas na campanha eleitoral parece refletir, mais uma vez, a dificuldade que o espectro ultraliberal que domina os projetos da elite brasileira tem em entender o núcleo da crise que o país enfrenta: o tamanho gigantesco da desigualdade social que funciona como elemento desestabilizador de todas as dimensões do Estado e não apenas do governo. O Brasil está atolado e só consegue sair disso se o impasse geração de riqueza versus distribuição da renda for atacado e resolvido.

Com exceção de uma tímida e amedrontada perspectiva social-democrata do PDT e do PT (entre os partidos que têm maior densidade eleitoral) o que está sendo discutido em termos de propostas de modelo econômico para um eventual futuro governo é um desastre e parece que elas (as propostas) constituem-se em acenos que na essência são todos a continuidade desse monstrengo da dupla Temer-Meirelles: redução de direitos, austeridade/retração dos investimentos em setores sociais/proteção do capital/desemprego/aumento da pobreza/desnacionalização.

Bolsonaro, Alckmin, Amoêdo, Marina - essa turma toda reza pela cartilha do mercado financeiro e a prova disso são as promessas que seus principais auxiliares na área econômica (ou eles próprios) fazem e que podem ser acessadas no link posto sob cada um de seus nomes. O resultado desses enunciados é o aplauso dessa imprensa marrom que gira em torno da desinformação e má fé que ela propaga no noticiário e nas colunas assinadas, a exemplo do que acontece com o Estadão, com a Folha, com o Globo - para citar só os que têm maior impacto sobre a opinião publicada dos estratos médios e altos da população.

O fato concreto, no entanto, é que a eventual vitória de qualquer um desses aventureiros, tenham eles maior ou menor grau de DNA fascista, certamente levará o Brasil a uma explosão: simplesmente não dá para pacificar um país com nossa dimensão moderna e social que convive com metade da sua população na faixa da miséria absoluta, do desemprego ou da subocupação. Essa é a cegueira da nossa burguesia, como insinua Eduardo Fagnani em entrevista concedida ao IHU.

redução do desemprego de 13% para 4,5% levou mais de uma década, mas nos últimos três anos “voltamos praticamente ao patamar de 10 anos atrás”, lamenta o economista Eduardo Fagnani na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line, ao comentar os dados da Pnad sobre o aumento do desemprego no país. Apesar do índice de desemprego estar na ordem de 13 milhões de pessoas, Fagnani alerta que o número de brasileiros “subutilizados” no mercado de trabalho ultrapassa 24,6 milhões de pessoas, se forem contabilizados os “subocupados”, que trabalham cerca de 20 horas por semana e desejariam ter uma jornada maior, e os “desalentados”. 

É isso o que está em discussão... ainda que artifícios jurídicos inconstitucionais ou midiáticos subtraiam da esfera pública o poder de deliberar sobre o caminho a ser seguido.
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