sábado, 15 de setembro de 2018

Ajustes: novos rumos na campanha eleitoral


Tudo parece indicar que as previsões mais moderadas sobre a candidatura de Fernando Haddad à presidência da República no lugar de Lula vão se confirmar: o ex-prefeito de São Paulo, em poucos dias, chega em segundo lugar na preferência do eleitorado. Por enquanto, empata com Ciro Gomes e fica atrás de Bolsonaro. É claro que tudo pode mudar, mas parece que os demais candidatos já são cartas fora do baralho. Levando em conta que o ex-capitão do exército perde fôlego pelo crescimento de rejeição à sua candidatura (em especial das mulheres), o cenário aponta para um próximo presidente afinado com o desenvolvimentismo, seja ele Haddad ou Ciro. Sou otimista? Sim, muito otimista...

A análise, no entanto, me parece realista. Com exceção das candidaturas que podem ser colocadas no campo da esquerda, todo o amontado de nomes que pensam herdar o indesejável espólio do golpe contra Dilma e os projetos econômicos de perfil neoliberal pelo aprofundamento da concentração da renda, mostra-se como um conjunto vazio de propostas ou com propostas que nem de longe se apresentam como alteranativas para a profunda crise social em que o Brasil vive. Nossa elite empresarial e os tecnocratas que falam em seu nome falam para um outro país... o país do 1% e dos sequestrados pelo neofascismo.

Além disso, é preciso acrescentar um dado que me parece não suficientemente levado em conta: a fragilidade da representação político-partidária que dá sustentação às candidaturas do leque que vai da extrema-direita à direita conservadora. PSL, Novo, Centrão, MDB e até mesmo o PSDB pagam hoje a fatura de terem se tornado siglas despersonalizadas e de aluguel exauridas na verdadeira farsa em que transformaram sua passagem pelos vários momentos pós-Dilma. Quem acredita nesses caras? Seu esvaziamento discursivo e sua fragilidade orgânica me parecem ser causas que se acrescentam ao  seu esgotamento político. Pode ser que num eventual 2o turno polarizado entre dois projetos antagônicos, no final das contas, prevaleça a força eleitoral do apelo popular. Esse cenário reforça meu otimismo.

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