quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Contra quem e contra o quê estamos lutando?

"A ameaça Bolsonaro é mais aterrorizante do que o 
país devaneado de Philip Roth (em Complô contra a América). 
Lá o espectro era ficção; aqui, é desgraçadamente real" (MM)

Se me faltassem outros motivos, bastaria a leitura do artigo de Mário Magalhães, no The Intercept, para que eu ficasse absolutamente convencido de que meu voto em qualquer turno das eleições será dado ao candidato que representar uma rigorosa defesa da democracia, um intransigente repúdio ao fascismo e uma clara opção por um projeto social-desenvolvimentista, nacionalista e regulador dos interesses privadas em todos os setores. Se possível, no âmbito de um programa que está sendo ainda está sendo submetido ao escrutínio do eleitorado, quero que meu candidato deixe clara sua determinação de resgatar a saúde pública e a universidade pública, revogar a reforma trabalhista e a PEC dos gastos públicos. É esse o meu candidato.  

Tendo a concordar com o Nassif quando afirma em texto recente que não é a polarização PT e PSDB que está em jogo agora, mas a defesa da democracia. Ainda assim, no entanto, entendo que é na figura de Haddad e na forma como sua candidatura foi construída que residem as virtudes da resistência. A possibilidade de uma "defesa" abstrata da democracia, sem o compromisso de uma radical reorientação da economia e das estruturas da distribuição da renda, insinua mais uma vez uma conciliação conservadora sempre custeada pelas forças progressistas e populares. 

Penso que esse destino sempre anunciado que nos sequestra a cada crise política talvez tenha se esgotado e que é possível ter chegado a hora de buscar a legitimidade desse pacto nas ruas, na hipótese - agora bastante viável - de que o novo presidente da República represente essa disposição eleitoral que a recusa ao neoliberalismo e ao ultra-conservadorismo parece demonstrar. 

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