sábado, 20 de outubro de 2018

A grande fraude: um país inteiro sequestrado pela mentira

O Brasil não merece isso
Em torno de Bolsonaro foi construída uma farsa e o Brasil está prestes a legalizá-la pelo voto, uma conquista universal da modernidade e da qual todos os países que a praticam se orgulham, mas que nosso país, com o apoio direto de seus empresários e de algum silenciamento da mídia, pode, daqui a uma semana, desmoralizar por completo. Penso que não é o caso, nos limites desta postagem, de reproduzir toda a sucessão de denúncias feitas sobre a manipulação da campanha eleitoral a partir da reportagem publicada pela Folha de S. Paulo e da tímida reação oficial ao fato. Talvez seja mais importante - sob o aspecto do ocultamento do processo de violência contra a democracia - entender como se constituiu, via veículos tradicional de comunicação, a consolidação da campanha fascista no campo simbólico do eleitor.

As matérias lincadas abaixo procuram mostrar um itinerário cumprido à risca na esfera pública pelos interesses que sempre viram na alternativa militarizada a barreira extrema de contenção de um projeto desenvolvimentista que pudesse substituir o caos instaurado no país depois do golpe contra Dilma Rousseff. Diante do sucessivo fracasso das forças conservadoras neoliberais organizadas em torno dos velhos partidos e da desmoralização de suas lideranças, entendo que foi a candidatura Bolsonaro que acabou carreando esse arco de mobilização reacionária que agora mostra toda a sua extensão ilegal. Na verdade, as eleições de 2018 tornaram-se um desdobramento do golpe de 2016 na sua concepção política e jurídica - em vista dos inúmeros mecanismos de coação institucionalizada que se agravaram desde a prisão de Lula, ao contrário do que seria de se esperar: um processo de pacificação do país com a construção de um novo consenso.

Buscar isso, no entanto, no âmbito de uma crise social e econômica para a qual o neoliberalismo não tem respostas que não sejam as do seu aprofundamento, significaria fazer retornar ao governo exatamente as diretrizes com as quais nossa burguesia não consegue conviver, fato que me parece estar na razão das práticas ilegais denunciadas agora: o que for preciso para impedir o retorno ao projeto nacional-desenvolvimentista será feito, "com o supremo, com tudo...". Indico abaixo as matérias que me parecem dar conta desse itinerário em três níveis: os das denúncias desencadeadas pela matéria da Folha; o da composição corrompida da equipe de Bolsonaro; o dos projetos que vêm sendo alardeados por sua campanha, tudo isso com uma certa ênfase no papel que a mídia hegemônica teve como instrumento de apoio à manipulação das redes sociais. Estamos diante de um verdadeiro bloco compacto cuja estratégia é inviabilizar a livre-expressão da sociedade.

Destaques: 

O que está em jogo no próximo dia 28 (André Singer, FolhaO silêncio empresarial e o futuro da democracia no Brasil (Maria Cristina Fernandes, ValorO risco de uma democracia iliberal no Brasil (Michel Reid, Valor)

Outras matérias:

* Empresários bancam campanha contra o PT pelo WhatsApp (Folha)* Discurso retrógrado pode ganhar sustentação como economia (Folha) * Diretor do Datafolha: salto de Bolsonaro nas pesquisas indica fraude (Gente de Opinião) * Deu no celular (Piauí) * As pistas do método Cambridge Analyica na campanha (Carta Capital) * Guerra suja nas redes sociais expõe o fake TSE (Uol) * Candidatos declaram R$ 3 milhões com WhatsApp (Uol) * Os empresários que apoiam Bolsonaro (Exame) * Em mensagem a funcionários, empresários declaram voto em Bolsonaro (Folha) * Caixa 2 é risco antigo, mas TSE preferiu não enxergar (Uol) * Cinco fake news que beneficiaram a campanha de Bolsonaro (El País) * Assim se hackeia a democracia (vídeo, Outras Palavras) * TSE e PF vão investigar empresas que bancaram esquema ilegal (El País) * Indicado como ministro por Bolsonaro tinha supersalário com verba pública (Uol) * Fundo ligado a Paulo Guedes lucrou R$ 590 mil com informação privilegiada (Uol) * Deixem falar o assessor de Pinochet (Outras Palavras) * Bolsonaro quer o Brasil de 50 anos atrás (The Intercept)

E a imprensa?

* E o velho jornalismo passa o pano para Bolsonaro (Outras Palavras) * Globo se submete à censura de Bolsonaro e não repercute matéria da Folha (Fórum) * Globo minimiza reportagem da Folha (Uol) * Bolsonaro ameaçou cortar metade da verba da Globo (GGN) * Globo e Record se calam frente à denúncia de caixa 2 (Esquerda Diário) * Os bastidores do apoio do portal R7 a Bolsonaro (The Intercept) * No novo Brasil de Bolsonaro, o império de Edir Macedo é usado para intimidar jornalistas (The Intercept)
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