terça-feira, 16 de outubro de 2018

Micro-ranhuras de uma catástrofe política

"Quem tem o poder não é ele, é o povo"

Os formadores da onda

Roberto Kaz
Piauí

"Vou te contar um babado forte”, anunciou Lucia Helena Ribeiro Pinto, pelo telefone, um dia após o primeiro turno da eleição que comprovou o favoritismo do seu candidato, Jair Bolsonaro. “Votei e depois fui pra porta do condomínio do Jair, eu e um bando de maluca. Tava muito bom, tinha até carro de som.” Sua ideia era acompanhar o pronunciamento do presidenciável, que ocorreria num hotel da vizinhança, em caso de vitória. “Quando vi que ele não ia pro hotel, fui embora. Fiquei triste porque a gente queria massacrar o PT de cabo a rabo.”
Lucia Helena é uma mulher magra, pequena e despachada que aparenta ter menos que os seus 47 anos. Costuma salpicar as frases com interjeições (“Olha só!”,“Que que acontece?”, “Aí é que tá!”) e expressões marinadas no sotaque carioca (“Sou tranquilona”, “Goixto muito”,  “Ixquierdixta”). Sua mãe é negra. Seu pai era branco. Lucia votou a maior parte da vida em candidatos do Partido dos Trabalhadores. “Você não tá entendendo! Eu era PT Futebol Clube”, enfatizou. “Eu tinha bottom, bandeira, ia em passeata na Cinelândia e na Candelária. Vermelho era minha cor preferida.” Elegeu Lula duas vezes e Dilma Rousseff, uma. “Na segunda eleição dela, anulei. Uma pessoa sensata não pode votar na Dilma, mas o Aécio também não convencia.” Nesta eleição, encontrou o messias na figura de Bolsonaro (continue a leitura).

Leia também: * Os ricos, os pobres e os precariados: os 3 tipos de eleitores de Bolsonaro (The Intercept) * A herança maldita de Temer, com a minha observação: o próprio aprofundamento da crise provocado pelos golpistas favoreceu Bolsonaro (Extra Classe) * O candidato do colapso (Marcos Nobre, Piauí).
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