quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Bolsonaro vai desenhando o perfil do seu governo

A agenda furtiva de Bolsonaro e Bolsonaro e o controle da verdade
(duas boas análises de Outras Palavras)
Claro, ainda é cedo para tirar conclusões sobre o perfil que vai se desenhando na composição do ministério do governo Bolsonaro, mas alguns nomes, por sua trajetória na vida brasileira, já permitem algumas análises. O pano de fundo parece ser a filosofia  anti-social que orientará o novo governo: até aqui não há qualquer indício de que as áreas mais agudas das disparidades que caracterizam o Brasil, em termos de renda e de bem-estar social, receberão algum tipo relevante de atenção. Ao contrário: o tema parece ser visto pelo futuro novo governo como um território de vingança ideológica e é nesse sentido que se dirigem as manifestações de todos os indicados. A julgar pelas palavras de Eduardo Giannetti da Fonseca, um economista liberal que pontua suas análises com boa ilustração intelectual, o ultra-liberalismo de Bolsonaro pode acabar fazendo um milagre: temo que essa aventura arruine o liberalismodiz ele.

Mas não é só. À frente desse espectro de um projeto econômico que vai sendo diariamente improvisado e que pode tornar o Brasil um caldeirão explosivo de tensões sociais, os sintomas de um desastre moral e político vão se avolumando. Carente de uma diretriz política que dê alguma homogeinade ao governo, os nomes indicados para compor o ministério têm como lastro não propriamente a competência para as áreas onde estarão alocados, ainda que pudesse se tratar de competência conservadora. O que os caracteriza é o revanchismo de uma nova era; um discurso sistematicamente articulado em torno de políticas desafirmativas das garantias da democracia e da justiça: um veto radical e generalizado a qualquer coisa que se pareça com o ajuste do Brasil aos desafios que vai enfrentar, das relações exteriores às políticas públicas de forte repercussão social. Olhando de perto e analisando o que essa turma está dizendo, dá medo.

Leituras sugeridas:  * Em que mundo vive Paulo Guedes (Carta Capital) * Bolsonaro quer entregar a Amazônia (Eliane Brum, El País) * Com extinção do Ministério do Trabalho, trabalhador perde do Judiciário e do Estado (GGN) * Palestinos protestam em frente ao escritório do Brasil em Ramala (Uol) * Bolsonaro anuncia líder da bancada ruralista como ministra da agricultura (Uol) * Na nova lei antiterrorismo, seus likes podem levar vc para a cadeia (The Intercept) * Já está claro que Bolsonaro agirá contra a imprensa. A questão é como (The Intercept) * Astronauta tem passado comprometedor (título adaptado do The Intercept) * Indicada para a Agricultura admite negócio com a JBS (Folha) * Diante de Bolsonaro, movimentos sociais preparam resistência (Carta Capital)

Para uma leitura mais cuidadosa sobre a repercussão política da presença de Sérgio Moro no Ministério da Justiça, sugiro as seguintes consultas: * Moro faz autodefesa e mostra afinidade com Bolsonaro, a quem define como bastante moderado (GGN e El País)* Requião ironiza Sérgio Moro e propõe Lei Ônix para perdoar caixa 2 (GGN) * Confirmado ministro, Moro se contradiz sobre convite ao cargo (Lupa)  * Sérgio Moro (postagem do blog).
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