sábado, 3 de novembro de 2018

Sérgio Moro


Sérgio Moro é um juiz federal de província que, por um desses azares da História, se viu alçado à condição de demiurgo da Justiça brasileira, uma espécie de organizador do sentimento de justa repulsa da sociedade à corrupção. Moro, no entanto, quando tudo começou com a Lava Jato, talvez fosse menor do que a responsabilidade que passou a ter e, com isso, penso eu que se deixou levar, a si mesmo e ao seu papel, pela sedução que o repentino voo despertou no provinciano que nunca deixou de ser. Ei aí, segundo penso, o segredo de Sérgio Moro.

Deslumbramento, constrangimento e desconforto com as medidas desse novo papel, desde o despreparo intelectual para as novas funções que passou a ter até os tropeços com as narrativas orais que teve que desenvolver nos cenários que passou a frequentar: quem diria que o jovem advogado que nunca advogou estaria em Nova Iorque recebendo prêmios; que diria que seu arbítrio de divulgar gravações ilegais da presidência da República ficaria impune; quem diria que a infundada decretação da prisão de Lula poderia definir as eleições presidenciais? 

A indicação de Moro para o ministério da Justiça é o coroamento - ou a retribuição - dessa trajetória: a violação escancarada das normas democráticas da Lei transformada em padrão de conduta em meio ao colapso generalizado de valores em que o país vive, o espaço da sobrevivência dos pequenos.

Álbum de família: momento em que o futuro ministro Sérgio Moro encontra seu futuro colega, o possível ministro Chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, um dos denunciados por ter recebido dinheiro da JBS (leia aqui).

Não deixe de ler: * Sejumoro prevaricou o tempo todo (GGN)A confissão de Sérgio Moro (Expresso) * Super Moro 2022 (Piauí) * Wikileaks: EUA criou (sic) curso para treinar juízes da Lava Jato (Esquerda Diário) * Decisão de Moro custa seu prestígio e fortalece o pior do governo Bolsonaro (Janio de Freitas, Folha)* Moro tira a máscara (El País) * Sérgio Moro me ajudou politicamente, diz Bolsonaro (Band) * Moro no governo: quem perde, quem ganha, efeitos colaterais (JOTA) * Gleisi Hoffmann: "Viva juízes isentos e presidentes democráticos" (Uol)* A recompensa do cabo eleitoral Sérgio Moro (Carta Capital) * Jornais estrangeiros destacam o papel de Moro para a eleição de Bolsonaro (Carta Capital) * Por que a nomeação de Moro caiu mal na imprensa internacional? (Uol) * Ministro Moro: Bolsonaro nomeia mais um que não pode demitir (Uol) * Sergio Moro na Justiça seria absurdo (Uol) * Assessora de Sérgio Moro: imprensa comprava tudo (The Intercetp) * O Moro do passado concorda que Moro do presente está pondo em dúvida a Lava Jato (The Intercept) * Moro deveria ter esperado para entrar na política, diz juiz italiano (Uol).
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