quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Um Brasil pequeno por dentro e por fora

Celso Amorim: "o Brasil é o único país do mundo que acredita que o
comunismo é uma ameaça"
Transferir a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém não é um gesto contra a Palestina, é contra a ONU, contra todo mundo. Os únicos que pensam diferente são os Estados unidos e a Guatemala. O Brasil se torna caudatário de uma política absolutamente voltada para algo que é uma mistura de religião com interesse em lobby

As declarações do ex-ministro Celso Amorim feitas em entrevista ao jornal Extra Classe, do Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul, são talvez o melhor testemunho dos ventos reacionários que varrem a dignidade nacional. O tema da matéria é a política externa que será imposta ao país com a chegada ao Itamaraty do embaixador Ernesto Fraga Araújo, um lunático aficcionado de Donald Trump que vai nos deixar isolados no cenário internacional, mas é possível relacionar os receios de Amorim ao conjunto dos fatos que nos últimos dias atestam o apequenamento do Brasil em outras áreas, em especial no campo dos direitos sociais e no da Educação.

O verdadeiro atentado à inteligência em que se transformou esse dejeto medieval chamado Escola sem Partido é tão grave quanto nosso alinhamento anacrônico com os fundamentos da Guerra Fria, a julgar pelo nível de intromissão que seus defensores passaram a manter em assuntos do governo, imobilizando o que resta de inteligência nessa equipe que sobe ao poder com Bolsonaro. A notícia de que uma tal de Frente Evangélica vetou o nome de Mozart Ramos para o Ministério da Educação sob o argumento e que ele não é suficientemente entrosado com a plataforma ideológica que elegeu o ex-capitão, dá bem uma amostra dos parâmetros que devem passar a funcionar como critérios de governabilidade em área essenciais: o crivo do fundamentalismo teocrático como critério de gestão política, nesta etapa da história, pode deixar o Brasil em condições anteriores ao macartismo dos EUA nos anos 40-50.

Por último... essa história de punir a sociedade brasileira com os cortes orçamentários determinados pela PEC do teto. Só no próximo ano, serão R$ 37,2 bilhões suprimidos dos gastos públicos, medida que inevitavelmente vai atingir setores sociais que já vivem à míngua desde o golpe do impeachment, como é o caso da Saúde e da Educação. Em todo o governo Bolsonaro, além de outras medidas de ajuste fiscal tomadas a pedido dos empresários, a supressão de verbas públicas deve chegar, também em razão da PEC do teto, a R$ 148,8 bilhões (leia aqui). Disse em outra postagem e repito: num país que abriga 60 milhões de cidadãos na faixa da miséria absoluta e com 13 milhões de desempregados, um corte de investimentos públicos dessa ordem é genocídio.

Em benefício de quem? Com a palavra, os privatistas, os bancos, o MBL, os evangélicos, Donald Trump, Guedes e toda a malta que esfola o país em condições muito parecidas com a dos exploradores coloniais.

Leituras sugeridas: * Um governo de destruição (Wilton Moreira, GGN) * Com maioria contra, Bolsonaro decide vender parte da empresa (Sakamoto, Uol) * Quem é o novo presidente da Petrobrás (Uol) * Novo presidente da empresa já defendeu sua privatização (Sul21) * O Estado Democrático de Direito sob ameaça (clipping) * Clipping do blog com as principais notícias sobre a difícil travessia do Brasil sob o governo da extrema-direita.
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