quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Brasil afunda na crise... sem perspectivas de sair dela

O cenário de abandono que domina todas as paisagens brasileiras, a sensação de inviabilidade de qualquer progresso e a amarga rejeição da própria nacionalidade são o coroamento (ainda longe de ser concluído) da apropriação privada da renda gerada pelo trabalho. Somos um país ocupado... 

A foto acima é da matéria do site Sul21 sobre o crescimento da extrema pobreza no Brasil que agora, neste final de 2018, atinge 15,5 milhões de pessoas. O número consta da Síntese dos Indicadores Sociais divulgada pelo IBGE e é absolutamente fidedigno, sem qualquer coloração ideológica ou partidária. Colocados ao lado das informações sobre a redução dos níveis de desigualdade da renda nos segmentos mais desfavorecidos da sociedade e das notícias sobre a expansão desmedida da informalidade do trabalho em consequência da reforma trabalhista, o quadro é incontornável: o Brasil deve figurar hoje como a nação onde as possibilidades de superação da profunda crise na qual foi colocado depois do golpe do impeachment são tão distantes que não podem ser visibilizadas senão a longuíssimo prazo. O modelo econômico brasileiro fundado na primazia da concentração da renda como instrumento de crescimento está em colapso há muito tempo e condena gerações inteiras ao desespero social.

Por que? Porque nas condições da crise sistêmica do capitalismo global não há espaços para investimentos externos que alavanquem nossa economia; não há possibilidades efetivas de sucesso na concorrência que o Brasil enfrenta no comércio internacional. Ao mesmo tempo, com um mercado interno deprimido pelas condições que os números acima indicam e com um dos níveis mais baixos de acumulação que nossa burguesia ostenta, o resultado é a estagnação, pura e simplesmente. A esperança colocada nas eleições de 2018 era a de que surgisse das urnas um governo de perfil desenvolvimentista que pudesse colocar o Estado na condição de gestor estratégico das saídas possíveis. Infelizmente, até onde a vista alcança, o projeto ultraconservador da dupla Guedes-Bolsonaro não só vai reproduzir a lógica concentracionária; vai também aprofundá-la com a renúncia à soberania nacional, com privatização selvagem e com a liquidação dos ativos sociais em benefício da especulação financeira. Somos um país ocupado; mas não é só isso: somos um país ocupado em processo de decomposição.

Postagens anteriores sobre o tema: * Bye bye, Brasil? * Aposta brasileira em cheque * A doutrina da genuflexão * Mergulho na desigualdade brasileira * Um país em marcha à ré (Outras Palavras).
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