terça-feira, 22 de janeiro de 2019

O Brasil em Davos: os 6 minutos que envergonharam o país aos olhos do mundo e do seu próprio povo (atualização)

Fala de Bolsonaro em Davos humilha e fere de morte a dignidade nacional. Pronunciamento mais se parece aos termos de uma rendição a nações estrangeiras. Direitos sociais do povo são postos à venda (leia no Uol e no El País)


Define bem o Fórum Econômico Mundial que está rolando em Davos nesta semana o jornalista Jorge Cordeiro: um bunker da fina flor do capitalismo global que reúne os promotores e beneficiários dos abismos nacionais e internacionais da distribuição da renda e foco principal da instabilidade econômica mundial. Só gosta do que é dito (ou decidido) em Davos quem se beneficia desses desajustes (leia aqui).

E, no entanto, apesar dessa marca inegável, a cidade suíça (cenário do romance de Thomas Mann de 1924, A Monha Mágica) acabou se tornando a Meca de uma romaria de países pedintes que todos os anos, na esperança de que as regras do capital financeiro atenuem o estado de penúria em que as nações periféricas vivem, fazem a Davos prometendo o que for preciso para que algum detrito do banquete dos ricos caia ao chão. Naturalmente, a maior ou a menor submissão a isso, sempre dependerá do grau de soberania internacional de cada uma das nações que comparece ao evento, mas a simples presença de um mandatário nas reuniões do Fórum já sinaliza o ponto de convergência em que ele se transformou. Lula esteve lá, Dilma idem, Temer (sujando-se todo de medo) também e agora Bolsonaro.

O Brasil em Davos: 
sabujice e desqualificação
Não é difícil entender, portanto, que a presença do Brasil em Davos não foi sempre a mesma: quanto mais intensa foi a política desenvolvimentista posta em prática por nosso governo - numa gradação decrescente entre Lula e Bolsonaro - maior seriedade do pleito pelos investimentos estrangeiros nas economias periféricas, já que não é imaginável prescindir deles, embora seja perfeitamente possível que a orientação desse fluxo esteja determinado pelos interesses estratégicos nacionais e não pelos regramentos dos bancos internacionais ou pelo FMI. A conclusão é esta: entre Lula e Bolsonaro, o que distingue a presença do Brasil em Davos é o projeto de desenvolvimento que cada um dos quatro presidentes encarna. Posso estar enganado, mas Bolsonaro sequer sabe o que é isso.

Digo tudo isso pra lamentar a sabujice da delegação que Jair Bolsonaro levou à Suíça: um timeco de despreparados - a começar pelo próprio Presidente - cujo discurso ultraconservador nos desmoraliza em todos os terrenos: da política externa aos planos econômicos do empresário Paulo Guedes, passando por Sérgio Moro. Vamos a Davos de pires nas mãos como das outras vezes, mas agora de joelhos. Afinal, qual o nível de seriedade e respeito da comunidade internacional que pode ter um país que abre mão das suas riquezas nacionais, da autonomia de seu desenvolvimento, da produção de sua Ciência e da sua Educação, da exuberância de sua cultura e de sua tradição jurídica, em nome de um conservadorismo tosco e obscuro como é esse envangelismo que nos ridiculariza?

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