quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Nova Previdência: na beira do genocídio em favor do capital

É preciso acabar com essa praga da desigualdade social, não
propriamente eliminando a desigualdade, mas exterminando o desigual. 

A reforma da Previdência proposta por Bolsonaro - e desde já negociada a preço de ouro para que obtenha apoio parlamentar - é mesmo aquilo que o Estadão definiu como o nascimento do governo. O projeto é a fisionomia acabada da imensa trama que o capital desenvolveu no sentido de colocar um ponto final definitivo no Estado do Bem-Estar Social e consolidar o mais dramático processo de concentração da renda de toda a História. 


A nova Previdência não representa apenas a transferência de recursos públicos imensos para os bancos; representa também um meticuloso e cruel sistema de extinção das condições de sobrevivência de grupos sociais inteiros. Eu diria que, guardadas as dimensões específicas da gestão econômica que a proposta tem, o Brasil está diante de um genocídio que vai afetar, no tempo, milhões de brasileiros. Os promotores disso não merecem qualquer outra coisa que não seja um tribunal internacional. 

A partida pra valer do governo Bolsonaro, portanto, foi dada, e de uma forma a não deixar dúvidas sobre a fidelidade com que o ultraconservadorismo cumpre o que prometeu. Moro, filhos, Bebianno, Damares, nada disso é muito mais do que - com o perdão do lugar comum - uma cortina de fumaça para que não fique excessivamente exposta a essência do resultado das eleições de 2018: um país posto de joelhos diante dos interesses internos e externos do grande capital.

Os próximos dias, portanto, serão fartos em análises das mais diversas tendências técnicas e políticas em torno do pacote previdenciário. Também serão dias de bravatas à direita e à esquerda. Nada disso, no entanto, elude o fato, de que o Brasil vive um dos maiores retrocessos históricos de que se tem notícia. 

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