segunda-feira, 8 de abril de 2019

Em lugares e posições diferentes, mas um único roteiro

Imagens mostram o sombrio projeto do execucionismo
como política para-oficial no combate ao crime: 
o efeito acabado da desmontagem do Estado
Os protagonistas da colagem de fotos ao lado, com exceção de Adolf Eichmann, vivem dispersos, mas o roteiro da série que protagonizam me parece bastante coerente: sob o argumento de uma determinada intolerância zero - que parece inspirar o pacote de medidas que Sérgio Moro tenta aprovar na Câmara dos Deputados - o que está sendo implantado no Brasil é o regime da aplicação compulsória da pena de morte à revelia da Lei.

Tudo muito informal no âmbito do contexto dos discursos - fato que dificulta a apreensão da coerência de sua lógica semântica - mas nada que escape à formulação de um projeto homogêneo para um país cujo presidente foi eleito há bem pouco tempo na esteira da rejeição de seus eleitores aos direitos humanos: o clima que estimula o execucionismo como política de segurança: Doria em São Paulo, Witzel no Rio, Moro em Brasília, milícias por toda a parte, algumas suspeitas da simpatia direta de figuras próximas a Bolsonaro... tudo isso vai formando um caldo grosso de desmandos para-oficiais que pode transformar o Brasil em terra de ninguém - como já acontece nas esferas dos direitos sociais e da economia. É o resultado essencial da política de desestatização do país...

Atualização3: * Pacote anticrime. Naturalizamos violências radicais em favor de uma senha de ocasião (IHU) * Pacto anticrime de Moro aumenta a repressão e não traz segurança (El País)

Atualização2: * Silêncio de Bolsonaro sobre execução de músico piora o que já é deplorável (Josias de Sousa, Uol) * O exército não pode voltar a sujar as mãos matando inocentes nas ruas (El País) * 80 tiros e o risco da impunidade (El País) * Episódio no Rio mostra que o problema não é só o guarda da esquina (Folha) * Fotos: exército detém 10 militares (El País) * Além de músico morto, exército atirou em jovem pelas costas (Folha).

Atualização1: * Witzel é um criminoso à solta: precisa ser denunciado, julgado e preso (Luis Nassif, GGN) * O fuzilamento no Rio (vídeo e texto, The Intercept)

* Doria, Moro e Bolsonaro repetem como farsa a tragédia nazista em torno da banalidade do mal. Navegue no clipping do blog * Doria homenageia PMs que mataram 11 e é chamado de fascista por Alberto Goldman (Folha) * Conselho da Secretaria da Justiça repudia homenagem de Doria a policiais que executaram suspeitos (Carta Capital) * Doria emplaca ex-assessores em postos estratégicos da gestão Bolsonaro (Folha).


* De duas postagens na lista O que há de novo, no WhatsApp (8/5/19):

* [04:27, 8/4/2019] Faro: Tal como Doria em São Paulo, o governador do Rio, Wilson Witzel, vai assegurando sua presença nessa espécie de "eixo do mal" que surge no Brasil à sombra do governo Bolsonaro. Witzel, que se notabilizou na campanha eleitoral pela alegria incontida que manifestou quando da violação da memória de Marielle Franco (na foto acima, de braço erguido ao lado de apoiadores de Bolsonaro), agora mostra-se protetor dos "snipers" cariocas - atiradores de elite, uma espécie de milícia de justiceiros que espalham medo e morte entre a população. A matéria é do El País

[04:37, 8/4/2019] Faro: Chamo aqui os "snipers" de milícia de justiceiros, mas é um eufemismo. A julgar pelo brazão exibido nas costas do governador Witzel (na 1a foto) - uma singela caveira que não deixa dúvidas sobre a filosofia (e a prática) macabra do grupo - tudo faz lembrar a tristemente célebre Scuderie Le Coq - o Esquadrão da Morte que aterrorizou vários estados brasileiros nos anos 60/70. A foto de Witzel não deixa dúvidas sobre o significado de sua simpatia...
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