quarta-feira, 24 de abril de 2019

Brasil a caminho do desastre

Retirantes, de Candido Portinari (1944)

A paisagem social brasileira e a indiferença das classes dominantes


Pode parecer catastrofismo, excesso de pessimismo, olho gordo, o que quer que seja, mas até agora, desde o golpe do impeachment em 2016, o Brasil apresenta um único movimento, numa única direção, em todos os setores da vida nacional: o colapso. Não se trata de um movimento depressivo passageiro, mas de uma falência estrutural dessas que precedem os sismos da história: descontrole politico, desordem institucional, volatilidade de todos os projetos, reformas voltadas à proteção exclusiva dos interesses privados, forte retração da qualidade vida, forte crescimento do desemprego e ampliação desmesurada da pobreza em níveis que escapam dos padrões conhecidos de mensuração.

Esses fatos - vários dos quais já evidenciados nos resultados do desempenho da economia brasileira no 1o. trimestre deste ano - formam uma espécie de combinação perfeita de variáveis que a extrema direita e o ultraconservadorismo neoliberal conseguiram fazer convergir para o momento da desastrosa presença de Bolsonaro na presidência da República: queda abissal investimentos públicos e privados, aumento do desemprego, queda do nível da renda, depressão do mercado interno e desmontagem das áreas de proteção social. A convergência, no tempo, dessas variáveis provoca uma reação em cadeia do plano material para o simbólico, gerando um estado de anomia coletiva. Na hipótese de que as "reformas" de Guedes sejam aprovadas, esse será o quadro do desastre absoluto ao qual me refiro no título desta postagem.

Não consigo, neste momento, visualizar um ponto de equilíbrio capaz de deter esse processo pois que seria preciso fazer reverter as expectativas que a burguesia brasileira continua alimentado de que seja possível tirar proveito desse descontrole. Sem instrumentos de representação política que possam organizar essa reversão, a hipótese é a de que as dificuldades de agravem, inclusive, em parte, pela intolerância ideológica que se estabeleceu dos grupos ultraconservadores em relação ao projeto social-democrata - o único, segundo penso, capaz de apresentar estas soluções para o beco em que o país se encontra: ampliação do poder normativo e gerencial do Estado em todos os setores, reestatização dos setores privatizados, inclusive aqueles que passaram às mãos de empresas estrangeiras, revogação de todas as leis anti-sociais aprovadas desde o governo Temer (inclusive a reforma trabalhista), revogação de todas as isenções fiscais, imediata taxação dos lucros dos bancos e das grandes fortunas, o fim da política do teto orçamentário e rejeição radical da proposta de reforma da Previdência.


Clipping do blog sobre o debate em torno do modelo econômico para o Brasil: * Para o Capital * Lara Resende aponta o juro alto como causa do baixo crescimento (Valor Econômico* Comentários ao texto de André Lara Resende, por Edmar Bacha (Valor Econômico) * André Lara Resende responde às críticas de Edmar Bacha (Valor Econômico) * Teorias Econômicas passam por ajustes para se adaptar aos novos tempos (Valor) * Está na hora de ser liberal (Samuel Pessôa, Valor) * Maioria dos brasileiros atrela atraso do país à desigualdade (DW) * O maior crime contra o Brasil - o projeto que desvincula do Orçamento da União recursos destinados à Saúde e à Educação (Estadão, via Terra) * André Lara Resende escreve sobre a crise da macroeconomia (Valor) * Para desnudar a mediocridade das elites (Paulo Kliass, Outras Palavras) * Ar fresco: o artigo do André (João Sayad, Valor) * O economista Deus está morto (Outras Palavras) * André Lara Rezende escreve sobre razão e superstição do déficit (Valor* Lara Rezende detona ultraliberalismo de Guedes (GGNMinistério da Economia é ilha liberal no governo (Valor).
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